O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Querida Sue - Jessica Brockmole

(Título Original: Letters from Skye
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2014)

Uma carta dá início a uma história de amor que nem duas guerras poderão apagar

Março de 1912: Elspeth Dunn, uma poetisa de 24 anos, nunca viu o mundo além de sua casa na remota Ilha de Skye, na Escócia. Por isso fica empolgada ao receber a primeira carta de um fã, David Graham, um estudante universitário da distante América. Os dois começam a trocar correspondências - compartilhando os segredos mais íntimos, os maiores desejos e os livros favoritos - e fazem florescer uma amizade que, com o passar do tempo, se torna amor. Porém a Primeira Guerra Mundial toma a Europa e David se oferece como voluntário, deixando Elspeth em Skye com nada além de esperanças de que ele sobreviva.

Junho de 1940: É o início da Segunda Guerra Mundial e Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Real. A mãe a adverte sobre os perigos de se entregar ao amor em tempos de guerra, mas a jovem não entende por quê. Então, durante um bombardeio, uma parede de sua casa é destruída e, de dentro dela, surgem cartas amareladas pelo tempo. No dia seguinte, Elspeth parte, deixando para trás apenas uma carta datada de 1915. Com essa única pista em mãos, a jovem decide ir em busca da mãe e, nessa trajetória, também precisará descobrir o que aconteceu à família muitos anos antes. 

Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário. 



Palavras de uma leitora... 


- Creio que é a primeira vez que começo a escrever a resenha aqui no blog sem antes colocar a sinopse. Claro que quando vocês lerem este post tudo já estará arrumadinho, formatado, com a sinopse em seu devido lugar antes do "Palavras de uma leitora..."rsrs Acontece que só tenho cerca de uma hora e trinta minutos para tentar colocar em palavras tudo o que sinto por esta história. Depois terei que me arrumar correndo para ir trabalhar. Por isso, comecei pela resenha em si. 

Sabe quando a intuição te leva a ler um livro especial? E não apenas uma história especial, mas uma das mais preciosas da sua vida. Aquela que você quer guardar num cantinho único e folhear todos os dias, se possível. Aquela que te arrancou lágrimas diretamente da alma, te preencheu de sentimentos lindos e ao mesmo tempo deixou um vazio que não poderá ser ocupado nunca. Foi exatamente o que aconteceu comigo ao ler Querida Sue. Ah, gente! Nunca mais serei a mesma. Livros realmente transformam pessoas. Sem sombra de dúvidas! Livros são capazes de nos marcar, de cravar-se como cicatrizes dentro de nós. O que seria da minha vida sem os livros? Acho que não existiria uma vida. 

- Foi num dia como outro qualquer. Eu estava fazendo minha costumeira visita às Lojas Americanas (meu lugar preferido para comprar livros, seguido de perto pela Saraiva, é óbvio!) quando vi alguns livros em promoção. Daquelas promoções de verdade, sabe? Peguei alguns livros, li suas sinopses e fiquei com vontade de trazer vários, mas quando bati os olhos em Querida Sue, senti uma coisa diferente. Não sei explicar. Eu o peguei nos braços (sim, foi bem assim mesmo!) e antes mesmo de ler a sinopse o quis demais. Como eu queria aquela história! Pensei comigo mesma: "Com tantos livros dos quais já ouvi falar para comprar por que escolher justamente um do qual você nunca ouviu nada?" O que era Querida Sue? Não fazia a menor ideia. Embora leia muitas resenhas na blogosfera literária, nunca tinha esbarrado numa resenha sobre essa história. Mesmo assim, soube que precisava desse livro. E não sairia de lá sem comprá-lo. 

Minha pilha de leituras nunca diminui, como vocês já sabem, por isso fui adiando a leitura dele. Mas o comprei ano passado, gente! E não pensei duas vezes ao colocá-lo na meta literária deste ano. :) Sim, ele saiu passando na frente de diversos livros.rsrs E o li num dos momentos que mais necessitava. Estou aqui chorando outra vez!kkkkkkk Sinceramente, não sei como ainda tenho lágrimas! A Jessica Brockmole fez de tudo para me desidratar durante esta leitura. 

- Existem escritores maravilhosos espalhados por este mundo. Sei disso! Muitos eu sequer terei a oportunidade de conhecer um dia, infelizmente. Outros já tive o privilégio de ler. Mas entre todos esses escritores talentosos e que nos fazem sentir um milhão de coisas, existe aquela parcela especial. Existem aqueles que possuem mais que talento... Que nasceram para escrever, que vieram com algo além desde o nascimento, entende? Para mim, a autora de Querida Sue tem esse algo especial. Eu mais do que viajei durante a leitura, queridos! Realmente  me senti dentro da história, sentindo absolutamente tudo com os personagens. E não queria que acabasse. Adoraria fazer parte da vida deles para sempre. 

Ainda não consegui parar de chorar. Mas não me sinto triste. Estou muito feliz por ter conhecido esta história. É um privilégio e tanto! Por favor, me digam que a Jessica escreveu mais histórias como esta e que elas também foram publicadas no Brasil! Eu necessito ler tudo o que ela tiver escrito. E o que ainda venha a escrever. Já foi direto para minha lista de autoras mais que queridas. 

"Eu devia ter lhe contado. Devia tê-la ensinado a proteger seu coração. Ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma. Ah, se você soubesse..."

- Não sei por onde começar. Como a Sue, me sinto sem palavras. Como colocar no papel tudo o que sentimos, tudo o que uma história nos provocou? Meus pensamentos estão desorganizados e minhas emoções, então! Queria não ter que trabalhar hoje. Queria poder ir para a Ilha de Skye, onde tudo começou entre eles, e visitar o lugar em que a Elspeth viveu e onde recebeu as cartas que mudariam toda sua vida. Mais do que isso, queria voltar no tempo, a um ano em que eu nem sonhava em existir... 1912. Março de 1912. Quando a vida da nossa protagonista realmente começou. 

É possível se apaixonar por alguém que você nunca viu em sua vida? Por uma pessoa com a qual você apenas trocava cartas? Pode o amor invadir as palavras escritas e atingir seu coração antes mesmo que se possa perceber? Embora fosse uma poetisa sonhadora, que vivia afastada do mundo "real", Elspeth não teria acreditado em algo assim... antes de receber a primeira carta. 

- Embora fosse uma escritora muito querida por todos os que tiveram a oportunidade de ler seus poemas, ela jamais tinha recebido a carta de um fã. Por isso, qual não foi seu choque quando aquele americano atrevido lhe escreveu. Ele tinha ganhado o livro de presente de um amigo, pois suas histórias ainda não tinham sido publicadas nos EUA. E ficara tão encantado por toda emoção que transparecia daqueles versos, que tivera a ousadia de lhe enviar uma carta, mesmo acreditando que ela se perderia numa pilha de outras enviadas por fãs. E com isso, deu início a tudo... A uma história de amor que tempo e guerra alguma seria capaz de destruir. 

"Uma vez, faz muito tempo, eu me apaixonei. Um amor inesperado, estonteante. Que eu não quis deixar partir."

O que era para ser apenas uma inocente troca de cartas entre uma escritora e seu fã, não demorou nada para tornar-se algo mais profundo, algo que não queriam perceber. Ela era uma jovem mulher casada, que não conhecia outra vida que não fosse aquela. Jamais saíra de sua pequena ilha, pois tinha tanto medo do mar que se transformara em prisioneira de seu mundo, sem jamais ter coragem de conhecer todos os lugares que sonhava em ir. Ele era um estudante universitário que não sabia bem o que desejava da vida, apenas que não era cursar medicina como seu pai impusera. Ele queria viver. Sentir. Se apaixonar. E nos versos de sua querida poetisa, encontrava a paz que não conseguia enxergar no vazio que eram seus dias naquele campus. Amá-la foi natural. Ninguém era capaz de entendê-lo melhor que ela. Quanto mais lhe escrevia mais desejava largar tudo e conhecê-la. Mesmo que ela fosse casada. Ainda que fosse um pecado desejar tê-la ao seu lado. Quem pode mandar no coração? Quem é capaz de controlá-lo? 

"Mas então veio a comoção da guerra, e não era hora nem lugar para um novo amor. Numa guerra, as emoções podem ficar confusas, as pessoas podem desaparecer, as opiniões podem mudar. Talvez tenha sido um erro eu me apaixonar tão de repente."

Por anos eles se corresponderam. Cada carta era esperada ansiosamente, pois ambos sentiam que viviam por aqueles momentos, mesmo que tentassem controlar tudo o que sentiam. Não podiam se amar. Era errado. Por isso, nunca se atreviam a colocar em palavras o amor que aquelas cartas despertaram. Ela continuava com sua vida ao lado de um homem distante e ele decidira ficar noivo, prestes a começar seu próprio caminho. Então, por que não conseguiam parar de escrever? Por que ele não era capaz de sentir nada pela noiva? Eram os lábios de sua querida Sue que ele desejava. Era o toque de sua pele na dele. Então, a 1ª Guerra Mundial começara... e diante da possibilidade de uma perda definitiva finalmente tiveram coragem para viver aquele amor. No momento equivocado. Porque cada instante juntos era seguido de meses de separação. E sempre pairava sobre eles o adeus... aquele que não seriam capazes de enfrentar... 

"Não me deixe partir para o front sem tê-la tocado pela primeira vez, sem ter ouvido a sua voz dizer meu nome. Não me deixe partir para o front sem levar uma lembrança sua no coração."

Ano de 1940. Em plena 2ª Guerra Mundial, Margaret apaixona-se perdidamente por um piloto da Força Aérea Real. Jamais entregara seu coração antes, mas quando estava com ele, esquecia-se do mundo. De tudo. Sabia que poderia perdê-lo, que naquela guerra nada era garantido. Um dia simplesmente poderia receber uma carta informando sua morte. Mas não queria deixar de viver, de amá-lo. Nem mesmo a oposição de sua mãe a impediriam de seguir em frente com aquele romance. Mas quando uma bomba cai em sua rua e as paredes de sua casa revelam cartas amareladas pelo tempo, todo o mundo de Margaret sofre um tremendo abalo. Conseguindo esconder apenas uma carta datada de 1915, antes que sua mãe recolhesse e guardasse todas as outras, ela não consegue entender quem poderia ser Sue e por que sua mãe ficara tão transtornada ao olhar para aquelas cartas. Como se não bastasse isso, ela desaparece logo em seguida e Margaret não faz ideia de para onde possa ter ido. Teriam aquelas cartas alguma coisa a ver com o desaparecimento de Elspeth? O que se esconderia no passado de sua mãe? Num passado do qual a vida inteira ela se negou a falar... 

"Afora eu, minha mãe passou as duas últimas décadas sozinha. Até vê-la naquela noite de bombardeio, na noite em que a guerra lhe rasgou o coração, eu nunca saberia. Nunca teria visto quanto ela era solitária. Nunca teria descoberto o que ela perdeu."

- Querida Sue intercala presente e passado de uma maneira cuidadosa e fascinante. Ora acompanhamos os acontecimentos do ano de 1940 ora voltamos para 1912 e todos os outros anos que seguiram antes do abrupto fim. E uma coisa que vocês talvez não saibam é que essa história não possui um narrador imparcial, uma terceira pessoa que nada tem a ver com o livro e apenas nos conta como tudo aconteceu. Não tem nada disso. Nem mesmo um narrador-personagem contando toda a história. Não tem nada daquilo com o que estamos acostumados. A história nos é mostrada TODA por cartas. Não existe um só capítulo, uma só página que seja diferente. O livro é escrito em cartas, gente! Algo que eu nunca tinha visto antes. 

Os trechos que coloquei nesta resenha são trechos das cartas trocadas entre os personagens. Tudo o que conhecemos vem das palavras que escreveram. Achei que não daria certo, que em algum momento a autora precisaria narrar algo, mas não. A história flui naturalmente dessa maneira peculiar e quanto mais lemos as cartas mais desejamos conhecer todas as outras. Nós invadimos a vida dos personagens, conhecendo seus segredos mais profundos, tristezas, alegrias, amores, medos, perdas... Entendem agora por que me sinto tão perto deles? 

"Penso nisso muitas vezes, Sue. Aqui estou. Não importa onde eu esteja no mundo, 'aqui estou'."

- Esta é uma das histórias que mais me emocionaram nesta vida. Como era possível eu viver num mundo em que não tivesse lido este livro?! Sinto algo muito forte e lindo por ter tido a chance de ler as cartas de Elsepth e David. Por ter conhecido a Margaret e seu querido Paul... Por ter sentido tudo com eles. Como esquecê-los? Nem nascendo de novo. 

"Certa vez você me falou, há muito tempo, que era muito clichê dizer que se podia amar alguém para sempre. Existe alguma palavra que signifique 'por mais tempo do que para sempre'? É por esse tempo que eu a amarei. 
Agora, para sempre, e depois. Amo você."

- Me dói ter que me separar do livro. Sei que preciso conhecer outras histórias que também me apaixonarão. Mas mesmo enquanto eu as ler, seguirei pensando em Querida Sue e dormirei com o livro sob o meu travesseiro. Por algum tempo... 

Esta foi minha sexta leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. A história de Elspeth e David preenche o Desafio 7: ler um livro que se passe em um período histórico importante. O livro se passa durante as 1ª e 2ª Guerras Mundiais. Restam só 3 livros agora! Será que conseguirei cumprir todos os desafios até o dia 30?! Veremos!rsrs 

"A guerra é impulsiva, ela me disse, e o que nos resta não passa de fantasmas."

Obs.: Quer um conselho? Se encontrar esta história numa livraria, supermercado, sebo ou qualquer outro lugar no qual esteja à venda, compre-a!!! Não desperdice a oportunidade! Porque dei uma olhada no site da Saraiva hoje e o livro aparecia como indisponível. Não tive tempo de conferir outros sites ainda, mas suspeito que vai ser difícil para as pessoas encontrarem este livro. :( O que aparecia para venda na Saraiva era apenas o ebook. Graças a Deus, não desperdicei minha chance em 2016 e tenho o meu exemplar de Querida Sue ao meu lado. Amo demais esta história! Muito mais do que podem imaginar. 

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