O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

domingo, 14 de janeiro de 2018

Simplesmente o Paraíso - Julia Quinn

(Título Original: Just Like Heaven
Tradutora: Ana Rodrigues
Editora: Arqueiro
Edição de: 2017)


Honoria Smythe-Smith sabe que, para ser uma violinista ruim, ainda precisa melhorar muito...

Mesmo assim, nunca deixaria de se apresentar no concerto anual das Smythe-Smiths. Ela adora ensaiar com as três primas para manter essa tradição que já dura quase duas décadas entre as jovens solteiras da família. Além disso, de nada adiantaria se lamentar, então Honoria coloca um sorriso no rosto e se exibe no recital mais desafinado da Inglaterra, na esperança de que algum belo cavalheiro na plateia esteja em busca de uma esposa, não de uma musicista.

Marcus Holroyd foi encarregado de uma missão...

Porém não se sente tão confortável com a tarefa. Ao deixar o país, seu melhor amigo, Daniel, o fez prometer que vigiaria sua irmã Honoria, impedindo que a moça se casasse com pretendentes inadequados. O problema é que ninguém lhe parece bom o bastante para ela. Aos olhos de Marcus, um marido para Honoria precisaria conhecê-la bem (de preferência, desde a infância, como ele), saber do que ela gosta (doces de todo tipo) e o que a aflige (como a tristeza pelo exílio de Daniel, que ele também sente). Será que o homem ideal para Honoria é justamente o que sempre esteve ao seu lado afastando todo e qualquer pretendente?

Com seu estilo inteligente e divertido, Julia Quinn enfim apresenta ao público o Quarteto Smythe-Smith, o terrivelmente famoso e adoravelmente desafinado grupo musical que conquistou os leitores antes mesmo que as cortinas se abrissem para ele.



Palavras de uma leitora...


- A última vez que eu tinha lido um livro da minha querida Julia Quinn foi em janeiro do ano passado, a história que encerrou a série Os Bridgertons, uma das minhas séries mais amadas. E eu até sabia do lançamento, ainda em 2017, dos livros do Quarteto Smythe-Smith, mas com tantos livros que necessitava comprar, a série infelizmente não poderia ser uma prioridade. :(

E não é surpreendente que, menos de um mês depois de comprar os dois primeiros (e ganhar de presente os outros dois), eu esteja resenhando Simplesmente o Paraíso.rsrs Não posso ter livros da autora em casa que eu acabo passando-os na frente de outras histórias. Impossível resistir!

- Quem leu os livros dos Bridgertons certamente esbarrou neste quarteto musical. Eram as mais famosas (e desastrosas) musicistas da Inglaterra, apresentando-se todos os anos para horror da sociedade. Ninguém podia entender como elas ousavam se apresentar ano após ano. Será que eram surdas? Que não percebiam que torturavam a todos os convidados e assassinavam as músicas? Toda vez que eu as via serem mencionadas nos livros, era sempre num momento doloroso para os personagens.rsrsrs E eu chegava a me encolher, pois a descrição deles era tão precisa que era como se eu própria estivesse escutando. 

Mas confesso que, fora isso, não notava muito as meninas que se apresentavam. Para mim, eram como personagens que a autora apenas colocava na história dos protagonistas, para preencher alguma cena, mas sem serem importantes de fato. Jamais passou pela minha cabeça que a autora fosse escrever uma série sobre elas. Todavia, quando soube do lançamento dos livros, tive muita curiosidade. Seria interessante conhecer as mocinhas por trás daquelas apresentações. Entender, pelo menos, por que elas não paravam.rs

- Honoria e Marcus, protagonistas deste livro, se conheciam desde crianças. Desde quando ela tinha seis anos e ele, doze. Sendo filho único de um conde frio que só via nele um herdeiro para dar continuidade ao nome da família, Marcus foi um menino muito solitário. Até ser enviado para o colégio e conhecer Daniel, irmão de Honoria. Uma amizade forte surgiu entre os dois garotos e Marcus passou a aproveitar cada convite que recebia para passar as férias com sua família. Com o tempo passou a se sentir parte daquele mundo, daquele lar. 

" - Marcus - disse Honoria. Ela se virou para fitá-lo, mas também para dar as costas ao irmão. - Gostaria de tomar um chá de bonecas comigo?
Daniel abafou o riso.
- Levarei minhas melhores bonecas - informou a menina, muito séria. 
Santo Deus, tudo menos isso.
- E haverá bolos - acrescentou ela, em uma vozinha formal que assustou o rapaz."

E aquele foi o início de tudo. Como era a caçula dos irmãos, havendo uma grande diferença de idade entre eles, Honoria também era uma criança solitária, desesperada por atenção. Assim, sempre que o irmão e o melhor amigo dele estavam em casa, ela os seguia para todas as partes, não importando o quanto Daniel tentasse evitá-la. Ainda que os meninos fossem grosseiros com ela, pois ela definitivamente sabia ser uma peste, Honoria seguia insistindo. Com o passar dos anos, e sua presença sempre constante, Marcus poderia dizer sem hesitar que a conhecia. Bem demais para o seu próprio gosto. 

Anos mais tarde, quando Daniel precisou fugir às pressas do país, Marcus se viu responsável por Honoria como jamais imaginou que estaria. Seu amigo, antes de partir, o fez jurar que cuidaria dela, que assumiria o seu lugar na vida de sua irmã, para garantir que ela faria um bom casamento. Ele assumiu sua obrigação com determinação, embora não fizesse ideia do quanto seria difícil cumprir sua missão... Sobretudo, quando os olhos dela, seu riso contagiante, sua tagarelice encantadora e a maneira como ela parecia enxergar a alma dele começam a fazê-lo questionar se ele próprio não seria o marido ideal. 

"- Eu estava olhando para você - disse ele, tão baixo que Honoria não teve certeza de ter ouvido. - Estava olhando só para você."

- A história entre esses dois é realmente muito fofa, deliciosa de acompanhar! É lindo ver uma amizade de infância se transformar aos poucos num sentimento mais forte até que os dois descubram que estão apaixonados. Que há tempos deixaram de ver-se apenas como amigos. O amor não surge num rompante, nada semelhante a "à primeira vista". Na verdade, até demora. Sempre existiu afeto entre eles, mesmo nos momentos em que ela poderia jurar que o odiava. Mas quando eles se reencontram de verdade (porque quando se viam nas temporadas sociais só se falavam educadamente) e têm a oportunidade de realmente conversar como no passado, as coisas começam a mudar. Devagar e de uma forma convincente. É possível enxergar como as coisas aconteceram, os olhares que foram se tornando mais significativos, os sentimentos que os surpreenderam. É muito bonito ver o desenvolver das coisas. E eu nem precisei torcer pelo casal, pois não existia nada contra eles... só o que precisavam era de tempo para descobrir que tinham nascido um para o outro. :)

"- Por favor, não morra - sussurrou ela."

- Acredito que realmente descobrimos o quanto amamos uma pessoa quando nos vemos diante da possibilidade de perdê-la. É algo assim que se passa com a mocinha desta história. Ela sabia que amava o Marcus. Que ele era um grande amigo, alguém que ela considerava parte de sua família. Porém, é só quando algo muito ruim acontece com ele e tudo indica que talvez ele não resista, que ela percebe... que nota que sua vida não seria a mesma sem ele. Que não suportaria. Que Marcus era seu porto seguro, parte do seu coração. Seria aquilo amor? Estaria apaixonada por ele? 

"Ainda sentia o beijo dela. Sua boca ainda pulsava com o toque dos lábios dela. 
Honoria ainda estava com ele.
E Marcus tinha a estranha sensação de que sempre estaria."

- Fiquei tão envolvida pela história dos dois que devorei o livro inteiro em menos de 24 horas. Comecei a leitura no final da noite passada e na tarde de hoje já havia terminado. Considerando as horas que parei para dormir, tomar banho, comer, concluí a leitura em pouquíssimas horas mesmo.kkkkkkkk... Foi realmente uma leitura muito prazerosa, divertida e fofa! Honoria e Marcus formam um casal que vale a pena conhecer. É um livro recomendado para aqueles momentos em que só queremos relaxar, esquecer um pouco do mundo e das leituras pesadas. Quando tudo o que queremos é apreciar uma bela história de amor com a garantia de final feliz. 

- Não posso deixar de mencionar que me deixou muito feliz rever Colin Bridgerton! :D Como sempre, ele estava causando com aquele sorriso irônico e irresistível, que tinha a clara intenção de fazer com que os pretendentes de certas damas o desafiassem para um duelo.rsrs E o que falar de lady Danbury? Sempre com sua bengala ameaçadora, disparando frases ferinas e dando uma de casamenteira.rsrs Eu sentia falta dela, confesso.kkkkkkk...

"Ele a amava.
Ele a queria.
Ele precisava dela."

- Como eu disse, recomendo muito a história! E só não começo a ler o segundo da série neste exato instante, porque preciso seguir em frente com a maratona literária. E por falar nisso...

Esta foi minha escolha para o primeiro tema da Maratona Literária de Verão. Como membro do reino de Galtano (cliquem aqui para entender), meu primeiro desafio era: ler um livro de um autor popular. Restam três desafios e dois extras! Sigam me desejando sorte! :D

Na verdade, estou muito feliz, queridos. Eu tinha como meta mensal ler pelo menos dois livros. Já li quatro e se tudo correr bem, até o final de janeiro terei lido uns oito. Se seguir assim nos próximos meses terei lido quase 100 até o final do ano. Seria realmente maravilhoso! Suspiros...


Quarteto Smythe-Smith

1- Simplesmente o Paraíso
2- Uma Noite como Esta
3- A Soma de todos os Beijos
4- Os Mistérios de Sir Richard

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Destino Tentador - Nora Roberts

(Título Original: Tempting fate
Tradutora: Daniela Rigon
Editora: Harlequin
Edição de: 2017)


Os MacGregors - Livro 2


Uma mulher determinada e corajosa, que deseja conquistar o mundo. Um homem intenso, arrogante e sedutor. Um encontro do destino que vai transformar as suas vidas. 

Cansada de priorizar as ordens da tia e deixar de lado os próprios sonhos, Diana Blade está disposta a trilhar o próprio caminho e conquistar o seu lugar ao sol. Mas ao visitar o irmão, Diana conhece Caine MacGregor, um advogado workaholic que, assim como ela, parece querer muito mais do que a vida atual oferece. Nenhum dos dois estava preparado para lidar com um romance nesse momento, mas não querem abrir mão do tempo que passam juntos. 

No segundo livro da saga dos MacGregor, Nora Roberts narra a história de mais um membro dessa família que parece ter o mundo aos seus pés, mas ainda não descobriu o verdadeiro amor.




Palavras de uma leitora...



"A menina que idolatrava Justin cegamente não existia mais. Ela tinha a própria vida e a própria carreira, duas coisas que estiveram estagnadas por muito tempo. Era um ano novo, recordou Diana. O momento perfeito para começos."

Quem quer que a olhasse seria incapaz de perceber o tumulto que se passava em seu interior. Toda uma vida de regras a forçou a adquirir o equilíbrio necessário para jamais deixar transparecer o que estava sentindo ou pensando. Por fora, era uma completa dama, do jeito que sua tia a educou para ser. Mas por dentro... Queria gritar, quebrar alguma coisa, fazê-los entender o quanto ainda doía. E que nenhum convite educado seria suficiente para apagar tantos anos de rejeição e abandono. 

Um dia, ela havia considerado Justin o seu herói. O irmão mais velho que sempre a protegeria, que estaria ao seu lado nos momentos que mais precisasse. Todavia, aos seis anos de idade, se viu privada de tudo o que dava como certo. Seus pais foram embora, vítimas de um acidente. E em meio a toda confusão e dor pela perda repentina, ela se viu levada para outro lugar e entregue, pelas mãos do irmão, a uma tia que desconhecia e não fazia o menor esforço para esconder que apenas a aceitava por obrigação, por um dever moral. 

No início, ela acreditou que seus pais não tinham morrido de verdade. Que se fosse uma boa menina, eles voltariam. Ao ser abandonada também pelo irmão, prometeu a si mesma que seria educada, que obedeceria a tia e assim seu irmão voltaria para lhe buscar, que ele só tinha feito aquilo porque ela era uma criança difícil. Porém, o tempo passou e nenhum bom comportamento bastou para trazê-lo de volta. Foram anos e anos de ausência. Nem mesmo uma carta, um telefonema... nada. Era como se ele a tivesse apagado de sua vida. 

Agora, tantos anos depois, ela já não necessitava mais dele. Aprendeu a se virar sozinha, tornou-se forte para suportar a vida ao lado de uma parente que a via como uma boneca sem sentimentos. Formada em Direito, finalmente via-se livre das amarras que a prenderam por tanto tempo. E então veio o convite. Inesperado e certeiro. Todo o necessário para despertar antigas mágoas. 

Levada por um impulso, Diana resolveu aceitar a passagem que a cunhada lhe enviou e passar alguns dias no hotel de seu irmão. O que para Serena talvez fosse uma oportunidade de aproximação, para Diana nada mais era que a chance de satisfazer uma curiosidade. Já não pensava mais em Justin. Iria, cumpriria o seu dever e depois iria embora, sem olhar para trás. Porque era impossível sentir falta de algo que nunca se teve. 

Porém, todos os seus planos de manter-se fria durante aqueles dias sofrem sérios abalos assim que ela coloca os pés para fora do avião. Enviado para buscá-la, Caine MacGregor parecia capaz de lê-la com um simples olhar. Ninguém jamais a encarara daquele jeito... como se pudesse despi-la física e emocionalmente. Como se a conhecesse mais profundamente do que ela própria. 

"Diana sentiu um desejo de ser segurada, guiada e possuída aparecer inesperadamente. De alguma forma, sabia que Caine poderia lhe dar tudo o que desejava. Não haveria perguntas sem resposta ou incertezas, apenas inundações de prazer e paixão. Com apenas um toque, poderia entrar num mundo inebriante e proibido onde não havia razão, pensamentos ou justificativas."

Talvez fosse fácil lidar com o irmão que já não conhecia. Mas como lidar com Caine? Como suportar sua aproximação, suas palavras provocantes e beijos roubados? Como não se render? Não sabia o que acontecia quando ele estava por perto, mas realmente não estava preparada para confiar em alguém, muito menos nele. Fosse o que fosse que estava começando, precisava acabar.

E nessa luta entre razão e coração não é sequer necessário anunciar o vencedor...

- Ao longo da leitura de Jogo de Sedução, conhecemos um pouco da história entre Justin (protagonista do primeiro livro) e Diana, sua irmã. Mas nada se compara a ver as coisas através dos olhos dela, enxergando a menininha perdida e assustada que ela foi, abandonada duas vezes e desejando que tudo não passasse de um pesadelo. Senti muito por essa menina e cheguei a sentir raiva do Justin, embora entenda que ele não teve escolha, que fez o que considerou melhor para ela. Acaba por ser muito triste imaginar tudo o que perderam, uma relação entre irmãos destruída por uma separação inevitável, pelo desastre da morte de seus pais. 

E enquanto Serena tinha crescido num lar cheio de amor, querida e atormentada pelos irmãos, Justin foi obrigado a se criar sozinho, após deixar a irmã aos cuidados de uma tia, sabendo que não poderia mais buscá-la, que talvez jamais voltasse a vê-la. Assim, duas pessoas com passados opostos, mas personalidades parecidas se envolvem e se apaixonam, provocando muita confusão em suas próprias vidas antes de finalmente admitirem que desejam construir uma relação juntos. Da mesma forma tem início o relacionamento entre Caine e Diana, mas aqui as coisas são mais complicadas. 

"Só havia uma pessoa em que podia confiar e depender completamente: ela mesma. Percebera isso anos atrás, quando tinha conhecido a dor da perda e o medo da solidão. Ela não passaria por isso novamente."

Dona de uma personalidade e tanto, Diana é uma mocinha forte, que sabe o que quer e luta por isso. Não quer apenas um cantinho no mundo ou uma vida pacata. Quer viver fortes emoções, construir uma carreira de sucesso e travar desgastantes e fascinantes brigas nos tribunais. Não era à toa que escolhera o Direito, sobretudo a área penal. E homem algum a impediria de chegar onde desejava. Não importava o quanto ele mexesse com ela, como fossem irresistíveis ou seus beijos e carícias. Tinha um objetivo. E Caine não fazia parte dos seus planos. 

Em contrapartida, Caine sabia bem onde queria Diana. E manter distância era algo que estava fora de cogitação. Percebera uma ligação forte com ela assim que seus olhos se cruzaram pela primeira vez. Conheceu seu momento de maior vulnerabilidade e a consolou contra o seu peito mesmo quando ela lutou para manter a imagem de mulher fria. E quanto mais se envolvia mais desejava tê-la em sua vida. Só que derrubar as defesas daquela bela e teimosa mulher não seria a tarefa mais fácil do mundo. Que bom que ele amava grandes desafios... 

"Eu pedi mais de uma vez que confiasse em mim. Não sou eu que assusto você, Diana. São seus fantasmas e suas dúvidas."

- Eu amei os protagonistas desta história! Não que eu não tenha chegado a desejar esganar a Diana em nenhum momento (risos), mas pude entender suas reservas, seu medo, sua falta de confiança num homem que estava lhe oferecendo tudo. Que a aceitava como ela era sem tentar mudá-la. Que sabia dar conforto em silêncio, ouvir suas palavras, entender sua profissão e angústias. Caine era completamente perfeito para Diana, mas o passado a fazia construir muros e mantê-lo do lado de fora. Somente um homem tão teimoso como ele seria capaz de ultrapassar cada barreira que ela levantava. Aquilo não era para qualquer um.rsrs

O livro é muito bom, divertido, leve, ótimo para livrar-se do estresse deixado por histórias mais complicadas. :)



Segundo a internet, os livros que fazem parte da série Os MacGregors são:

1- Jogo de Sedução 
2- Destino Tentador
3- Orgulho e Paixão
4- Encanto da Luz
5- Hoje e Sempre (flashback do romance entre Daniel e Anna, os pais de Serena)
6- Rebelde (histórico!)
7- Um Mundo Novo (histórico!)
8- Instinto do Amor
9- Beijos que Conquistam
10- Amor Nunca é Demais

11- Um Vizinho Perfeito

sábado, 6 de janeiro de 2018

Dom Casmurro - Machado de Assis


Machado de Assis (1839-1908), escrevendo Dom Casmurro, produziu um dos maiores livros da literatura universal. Mas criando Capitu, a espantosa menina de "olhos oblíquos e dissimulados", de "olhos de ressaca", Machado nos legou um incrível mistério, um mistério até hoje indecifrado. Há quase cem anos os estudiosos e especialistas o esmiúçam, o analisam sob todos os aspectos. Em vão. Embora o autor se tenha dado ao trabalho de distribuir pelo caminho todas as pistas para quem quisesse decifrar o enigma, ninguém ainda o desvendou. A alma de Capitu é, na verdade, um labirinto sem saída, um labirinto que Machado também já explorara em personagens como Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas) e Sofia (Quincas Borba), personagens construídas a partir da ambiguidade psicológica, como Jorge Luis Borges gostaria de ter inventado.




Palavras de uma leitora... 


- Há muitos anos ouço as pessoas falarem deste livro. Esbarrei nele ainda na escola, nas aulas de Literatura, embora, na época, não tenha me interessado nem um pouco em lê-lo. Temia Machado de Assis. O evitava. Todavia, fui obrigada a ler pequenos trechos que eram indicados pela professora para poder fazer as provas e trabalhos. 

Mas foi fora do colégio que vim a notar que existia uma grande empolgação em torno do livro. Um tal mistério que dividia opiniões. Capitu traiu ou não traiu o marido Bentinho? Muitos defendem fervorosamente que sim, mas existe aquela parcela significativa que tem certeza que não, que ela foi injustiçada. Depois de ler o livro.... de que lado estou?

Vou deixar bem claro antes de tudo que sequer sou capaz de entender tantas dúvidas por parte dos leitores e estudiosos desta obra! Como alguém pode dar ouvidos (ou olhos) às asneiras que o protagonista da história diz/escreve? Para mim, ele é um maldito desgraçado, que levou os ciúmes além de todos os limites e destruiu o próprio lar, as lembranças de um amigo e a relação com o próprio filho. Que ele não entendia de amor, percebi desde o início do livro. Ele me dá asco! Então, é óbvio que faço parte da parcela que tem certeza que a Capitu não o traiu. Seu único erro, o pior que poderia ter cometido, foi se apaixonar por este miserável inseguro e doente, que só fez desperdiçar a juventude dela e destruir sua vida. Capitu estava era muito cega quando se deixou apaixonar pelo Bento. Teria sido muito mais feliz com outro. Ele nunca a mereceu. 

 - É possível dar spoiler de um livro que é tão conhecido? Não sei. Mas antes que me acusem de spoiler, deixo logo o aviso: revelarei "segredos" do livro nesta resenha. Portanto, se ainda não leu o livro e não quer saber mais que o necessário, abandone a leitura da resenha neste instante! 

"Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do espírito."

- O narrador da história é o próprio protagonista, o que por si só já nos deixa com um pé atrás. Qualquer leitor, experiente ou não, saberia que o texto é subjetivo, escrito apenas do ponto de vista do Bento, sem dar aos demais personagens oportunidade de defesa ou de mostrar um outro lado das situações narradas por ele. Algo que convém ao Bento, não é mesmo? 

No início da história, ele nos informa já que estava entediado e desejoso de passar o tempo escrevendo um livro. Que pensou em falar de política, filosofia ou algo do tipo, mas que acabou se decidindo por escrever suas próprias lembranças. E assim nos leva ao ano de 1857, quando ele então tinha 15 anos e Capitu, 14. 

Sua mãe, naqueles tempos, tinha na cabeça a certeza de que seu filho seria padre. Havia feito uma promessa antes dele nascer... Prometera a Deus que se o filho vingasse, se não morresse como o primeiro, o entregaria a Deus, faria que ele fosse padre. Como Bento cresceu com saúde, ela se viu obrigada a cumprir a promessa e alimentar no coração da criança a certeza do seu destino. 

Ocorre que o menino cresceu ao lado de sua grande amiga, Capitu. Menina travessa, alegre, extrovertida como ele não conseguia ser. Onde um estivesse o outro estaria também, e tão unidos eram que não necessitavam da amizade e companhia de mais ninguém. Se bastavam assim. Ela podia ter suas amiguinhas, mas era com Bento que sempre estava. Qualquer olho, até mesmo o menos atento, perceberia que da amizade de criança não demoraria a surgir o amor. 

E assim aconteceu. Um dia, Bento ouviu um hóspede de sua casa levantar pela primeira vez a questão. Até então ele próprio não tinha notado ou não quisera perceber que o que sentia por sua amiga de infância era mais que um simples afeto. Sabia que tinha que ser padre, portanto não poderia sustentar tais sentimentos. Todavia, após ouvir aquele homem falando à sua mãe, seus olhos se abriram e aí foi impossível esconder de seu coração o que sentia. Amava Capitu. Amava aquela menina mulher e a queria como esposa. 

"Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem."

- Pausa no meu resumo para admitir uma coisa: concordo completamente com o que o Bento disse no trecho acima. Capitu era realmente uma grande mulher. O que ela tinha de especial ele tinha de baixo, de cretino. Até mesmo ela, de tão mulher, conseguiria ser mais homem que ele! 

Voltemos ao livro... Ao abrir os olhos naquela tarde, Bento também notou que seus sentimentos eram correspondidos e passou a temer o seminário, o momento em que seria enviado para estudar e ser padre. Não queria aquilo, mas não tinha coragem de contrariar sua mãe. 

Dona de uma personalidade e tanto, Capitu foi a primeira em pensar formas de evitar o destino de Bento. Não queria que ele a deixasse, mas sabia que faltava nele o necessário para tomar suas próprias decisões. Desta forma, ela perde-se em suas ideias, refletindo, tentando encontrar maneiras de convencer a mãe dele a desistir de sua promessa. 

No fim das contas, apesar de todos os desejos dos jovens no sentido contrário, Bento é enviado ao seminário e incia-se a preparação para que um dia ele viesse a ser padre. Apesar das tristezas da separação, o casal não desanima. Tinham jurado. Prometeram que se casariam. E isso bastava para fortalecê-los. De um lado, Bento estudava e fazia amizades, guardando no coração a certeza que, quando o momento chegasse, confessaria não ter a vocação necessária. Capitu, de outro, se fazia mais e mais amiga da mãe do seu amado, conseguindo conquistar seu coração e despertar nela os desejos de vê-la como sua nora. 

"[...] juremos que nos havemos de casar um com o outro, haja o que houver."

O tempo passa... Com a ajuda de terceiros, o casal consegue por fim convencer Dona Glória a permitir que o filho deixe o seminário. Mas o casamento não acontece imediatamente. Outra separação teve que ser suportada, pois Bento viajou para estudar as leis e retornou aos 22 anos de idade, formado em advogado. 

Escobar, o amigo que ele conheceu durante o tempo de seminário, e quem também tinha abandonado aquela vida para dedicar-se aos negócios, já naquela época estava casado com a melhor amiga de Capitu e foi, durante os estudos de Bento, aquele que entregava as cartas de um para o outro. 

Quando o casamento finalmente aconteceu, eles não cabiam de felicidade. A cidade inteira falava daquele grande acontecimento. Os amigos de infância, tão unidos desde sempre, agora eram um só pelos sagrado matrimônio. Ela deliciava-se em ser sua esposa. Ele se orgulhava de finalmente tê-la, mas os ciúmes... os mesmos que o dominavam ainda na adolescência... não o deixavam. Não o deixariam nunca. 

Tudo ia bem entre eles, mas dois anos se passaram e o tão desejado filho não chegava. Enquanto Escobar e sua esposa já tinham uma menininha, cabia a Capitu e Bento apenas sonhar com o seu bebê e esperar que um dia ele chegasse. Finalmente chegou. E esse foi o princípio do fim. Mas... um bom observador perceberia o erro de tal afirmação. Porque o fim iniciou-se muito tempo atrás. Anos antes, ainda na adolescência...

"Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras, nem nomes, e somente raras circunstâncias."

- Não é de ânimo leve que defendo a Capitu. Não é sem argumentos, sem qualquer fundamento. O próprio protagonista, apesar de sua subjetividade, de sua péssima memória (como ele mesmo afirma diversas vezes), me dá base concreta para acreditar na inocência dela e para julgá-lo um doente mental que necessitava urgentemente de internação, pois era um perigo para si mesmo e para as demais pessoas. Até porque alguém que cogita assassinar o próprio filho ou é um psicopata ou é um doente mental (sim, eu sei que o psicopata também tem uma doença, um distúrbio mental, mas entenderam o quis dizer) e perigoso nas duas hipóteses. É spoiler? Eu disse que teria. 

"É que tudo se acha fora de um livro falho, leitor amigo. Assim preencho as lacunas alheias; assim podes também preencher as minhas."

- Com toda certeza! Estou mais do que disposta a preencher todas as lacunas desta história, pois me nego a aceitar que ele vença em suas palavras, em sua infundada e miserável acusação. Este desgraçado destruiu a vida de uma mulher que o único crime que cometeu foi amar a pessoa errada. O mínimo que ela merece é que alguém enxergue a verdade nas entrelinhas, nas palavras amargas dele, na injustiça, aquilo que ele se negou a aceitar até o fim. 

Quem leu o livro talvez se recorde que o Bento, este desprezível protagonista, era dono de uma mente muito criativa ainda bem jovem. Era capaz de imaginar toda uma situação... de tal maneira que parecia realmente verdade. Sabem onde estou tentando chegar, não é mesmo? Pois bem. As situações eram tão "reais" quando ele desejava vê-las assim! Uma imaginação brilhante, uma criatividade que muitos poderiam desejar ter, mas tais qualidades na mente errada... não pode dar certo. 

Outra coisa forte no protagonista era seu ciúme. Quando "descobriu" que amava Capitu, também descobriu o ciúme,  e o sentimento de posse. Que ela era dele, que não poderia olhar para outra pessoa. Que não poderia estar feliz longe dele. 

- Ainda no início do relacionamento dos dois... Troca das primeiras carícias, dos primeiros beijos, houve uma cena. Eles estavam juntos e um rapaz passou. Alguém que a Capitu sequer conhecia, mas que olhou para ela. Apenas olhou, como poderia olhar para qualquer moça. Isso bastou para vermos toda a imaginação e ciúmes do Bento em ação. Para ele aquela era prova suficiente de sua traição. Que ela esteve se divertindo com aquele rapaz e que provavelmente também namorara outros pelas costas dele. Querem uma mostra da reação dele? De como o amor que ele tanto jurou sentir por ela o fez ter... como digamos? "Belos desejos". Sim, porque são muito belos os pensamentos que lhes mostrarei no trecho a seguir:

"A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida como o sangue..."

- Parece uma mente saudável? Eu respondo que não. Desde o princípio, mesmo se eu nunca tivesse ouvido falar deste livro, saberia que a relação não tinha como dar certo. O Bento me lembrava esses tantos homens que enxergam as mulheres como posses e que muitas vezes por traições imaginárias chegam ao ponto de assassiná-las, cometendo os chamados "crimes passionais". Eu o via bem capaz de cometer um homicídio. De matar a própria mulher. E sabemos que ele esteve perto de fazê-lo... 

- O que também percebemos ao longo da leitura é que o Bento era pura insegurança e covardia. Capitu era cheia de vida, de risos, de alegria, de determinação. Ela sabia o que queria e lutava por isso, ainda menina, mesmo quando adolescente. Enquanto ele não tinha forças para nada, nem mesmo para decidir a própria vida. Ele invejava a Capitu. Isso esteve presente em todo o relacionamento. Ele a adorava, dizia amá-la, mas também a invejava. 

"Era mulher por dentro e por fora, mulher à direita e à esquerda, mulher por todos os lados, e desde os pés até à cabeça."

- Observando bem a história (eu li este livro com toda a atenção e cuidado), percebemos também que o Bento sempre soube que a Capitu era muito para ele. Que ela poderia ter mais e que ele poderia perdê-la. Temia a existência de outros rapazes, ficava se consumindo imaginando que ela estaria sorrindo para outros e incomodava-se inclusive com o que ela pudesse vestir. Porque seus braços não poderiam aparecer, sabiam? Isso despertaria o interesse dos outros e era inaceitável. Assim, Capitu conhecendo-o bem, deu um jeito de esconder os braços, para evitar crises de ciúmes. Agora eu lhes pergunto: como um homem que tinha ciúmes até do ar que a Capitu respirava, não teria ciúmes do melhor amigo e não imaginaria, tendo uma mente tão criativa, um relacionamento entre ele e Capitu? Só que sendo ele o narrador e estando em suas mãos o poder de escrever como bem queria, não dá todos os indícios abertamente. Mas sempre esteve lá: a desconfiança, a imaginação, a teia que ele estava tecendo para no momento devido acusar, julgar e condenar. E tal era sua loucura que foi maquinando pouco a pouco, dizendo uma coisinha aqui e outra ali, tentando convencer as pessoas inclusive de que sua própria mãe suspeitava de Capitu e os outros personagens chegaram a não entender de onde ele estava enxergando frieza no tratamento entre as duas. Ele foi construindo o ambiente adequado para o que sua mente queria. 

"Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança."

E então... ele passa a enxergar no próprio filho provas da traição de Capitu. Porque o menino não se parecia com ele, segundo sua opinião. A criança tinha o olhar de Escobar, suas mãos, seus gestos... estava ficando mais e mais parecido com ele. Conforme os anos se passavam e sua loucura aumentava, ele enxergava novas semelhanças. 

Claro que ele não acusaria o amigo abertamente. Era um covarde, como bem temos que lembrar. Assim, foi somente após a morte de Escobar num acidente, que ele se permitiu considerar como fato que os dois o tinham traído. Que Capitu fora amante de Escobar e que o filho era dos dois e não dele. O mais interessante é que enquanto ele não tinha reais provas de tal traição (apenas sua imaginação fértil e doentia), ele próprio traiu o amigo. Porque desejou a mulher de Escobar. E que era melhor amiga de Capitu. Ele sim foi desleal. Estava na casa do amigo e olhou sua mulher com desejo, imaginando ainda ser correspondido. Depois ele desfaz tudo. Diz que foi ilusão, que a outra não o quis, que ele tinha imaginado tudo e inocenta a outra em suas lembranças, deixando toda e qualquer culpa de traição para Capitu. 

"Senti ainda os dedos de Sancha entre os meus, apertando uns aos outros. Foi um instante de vertigem e de pecado."

- Quando Escobar morre e ele finalmente dá como certo que o filho é do outro, passa a nutrir um ódio grande de Capitu. Decide acabar com a própria vida, mas muda de ideia, entendendo que quem tinha que morrer era ela:

"O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer."

Ele cogita assassiná-la, fazê-la pagar por sua traição, mas volta a mudar de ideia e alimentar os desejos suicidas. Chega a preparar tudo e quando está prestes a executar-se... o filho o busca. Então... outros pensamentos. Por que não? Por que não matar a ele, quem não suportava sequer olhar? Ele chega a empurrar a xícara com veneno para a boca do menino, mas desiste no último instante. Talvez o sangue tivesse gritado o que ele não queria ver. 


"- Pois até os defuntos! Nem os mortos escapam aos seus ciúmes!"

- É horrível o que ele faz. Como a acusa, como não lhe dá oportunidade de se defender. A envia para outro país junto com o filho, para que a separação não fosse tão pública. E lá a Capitu morre, longe do seu país, das pessoas que a amavam. Longe do homem que ela amou até a morte e que a magoou como ninguém. Ele não foi atrás dela. Nunca pediu perdão. E nunca acreditou em sua inocência. Acreditava apenas no que queria. Lamento demais por essa menina. Pela criança que cresceu com ele, que o tornou todo seu mundo. Ela poderia ter tido qualquer outra pessoa. Poderia ter sido realmente feliz, mas esteve cega durante toda a vida. 

Ele sustentou o filho que dizia não ser seu. Não descumpriu suas obrigações materiais, embora desprezasse o rapaz. Embora tenha chegado a confessar que desejava a sua morte. Um verme de pai. Considerando que acredito na existência de um inferno e mesmo que o livro seja uma obra de ficção, eu desejo que o Bento esteja queimando no inferno! 

No fim, ele não deixa de nos confessar que viveu bem. Em suas próprias palavras: "Vivi o melhor que pude, sem me faltarem amigas que me consolassem da primeira." Ele nos confessa que comia bem, dormia bem, tinha amantes e levava a vida que desejava. 

- Eu odiei o Bento com todas as minhas forças. Para mim, ele é um lixo. Me dá nojo! Mas o livro recebeu cinco estrelas porque é impossível não enxergar a genialidade do autor, a maneira como ele conduziu a história, sua ambiguidade, a construção dos personagens, a própria criação de um protagonista com quem não simpatizamos. O autor foi brilhante! O livro é maravilhoso, por mais que nos desperte revolta. Se os contos dele já tinham feito eu me apaixonar por ele, ao ler o seu romance eu não poderia ser mais que sua fã incondicional. Amo o Machado de Assis, autor que um dia temi!rsrs Mas realmente odeio profundamente seu personagem. Não suporto nem recordar este maldito Bento. 

- A capa ridícula que coloquei no início da resenha, não é da edição que tenho. Minha edição é de 1982, publicada pela Editora Abril Cultural. Acontece que ela não possui sinopse, então resolvi colocar esta capa feia só porque ela tinha sinopse no Skoob.rs Eu amo muito a minha edição da história. A adquiri em 2012, sem ter que pagar nada. Foi numa troca de livros no meu curso. Saí ganhando, pois o livro parecia novo. Quem o possuía antes o conservou como poucos fariam. Não foi atingido pelo tempo. Sua capa é dura, as páginas não possuem aquelas manchas que os livros adquirem com o passar dos anos. Não. Parece que foi mantido em algum lugar que o conservou. É um dos livros que mais tenho ciúmes. :D 






Dom Casmurro foi o livro que escolhi para abrir o Desafio 12 Meses Literários. O tema deste mês era ler um livro de Literatura Nacional. Foi uma escolha acertada, por mais que tenha desejado matar o protagonista.rs

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Jornada MLV - Maratona Literária de Verão 2018


Bem... Um dos meus momentos mais aguardados do ano era o do vídeo de divulgação da Jornada MLV no canal Geek Freak. Quem acompanha o blog provavelmente viu que eu participei, pela primeira vez na vida, de um desafio desse canal, que foi a Maratona Literária de Inverno 2017. Foi uma experiência tensa (tive que ler um monte de livros em curto tempo), mas maravilhosa! E como eu amei cada instante, estava mais que ansiosa para participar da maratona de verão. 

Em que consiste esta maratona? O objetivo principal, claro, é ler o máximo possível de livros em pouco tempo, mas livros que nós desejamos ler. É para ser algo prazeroso, divertido, sem pressão. Considerando que sou ansiosa por natureza, eu mesma coloco muita pressão em cima de mim.kkkkkkk

Neste ano, o Victor do canal Geek Freak, criou um reino imaginário em que viveremos a maratona. Este reino é dividido em outros dois reinos menores: Galtano e Arcania

Galtano é o reino governado por grandes guerreiros, vikings, pessoas fortes que lutam com seu corpo, escudo, espada, machado... com todas as armas disponíveis em sua época. Eles não possuem magia. É com sua força física e estratégias que eles vencem ou morrem tentando.rsrs 

Arcania é um reino governado por magos, feiticeiros, bruxas, qualquer tipo de ser mágico. Embora eles tenham ao seu favor os poderes, não deixam de ser grandes estrategistas, pois nem sempre o poder é suficiente para vencer uma batalha, verdade? 

Não há disputa, queridos. A divisão em reinos é apenas mais uma forma de diversão, de aumentar nosso interesse e disposição para nos desafiar. Os reinos de Galtano e Arcania não são inimigos, um não está tentando derrubar o outro. 

Mas... ao decidir participar da maratona, somos obrigados a escolher um lado. Isso porque cada um dos dois reinos possui quatro cidades. E cada cidade é responsável por um desafio. :D

Assim, como eu escolhi ser uma guerreira do reino de Galtano, segue abaixo os desafios que terei que cumprir: 



1- Baltivéria - Ler um livro de um autor popular: Simplesmente o Paraíso - Julia Quinn (Resenha aqui)

2- Tresâmia: Ler um livro comprado em uma promoção: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - J. K. Rowling

3- Sombra do Corvo - Ler um livro que aparentemente só você conhece: Coragem de Mãe - Marie-Laure Picat

4- Montevano - Ler um livro que você sempre teve medo de ler: O Dia da Caça - James Patterson


- É um desafio para cada cidade de Galtano e conforme vamos cumprindo avançamos pelas cidades, entende? Assim, se eu conseguir ler o livro da cidade de Baltivéria, minha próxima parada será em Tresâmia. 

Pensam que acabou? Claro que não! Todo reino necessita de um rei e uma rainha e no imaginário não é diferente.kkkkkk... Desta forma, o rei de Galtano é o Paulo do canal Livraria em Casa e a rainha é a Thereza do canal Thereza Reads. E para agradar os reis, temos dois desafios extras!!!




Favor do Rei - Ler um livro de um autor que não seja americano nem brasileiro: Sorrisos Quebrados - Sofia Silva
Favor da Rainha: Ler um livro que foi indicado por um booktuber: Sorrisos Quebrados - Sofia Silva

- Sim, eu escolhi o mesmo livro para os dois favores. Porque ele se encaixa bem nos dois desafios. Sorrisos Quebrados é um livro que estou querendo muito ler, pois todo blogueiro/booktuber que fala da história, fala muito bem. Que é um livro que emociona, que envolve muito o leitor, que nos faz pensar nas situações de mulheres vítimas de violência. A Paola do canal Livros e Fuxicos indicou com todo seu coração este livro. A autora é portuguesa e muito querida aqui no Brasil. 

A Jornada MLV ocorrerá de 13 a 27 de janeiro. Quer participar? Acesse o vídeo de divulgação da maratona, clicando AQUI e veja as instruções do criador do desafio. 

Será que conseguirei cumprir todos os desafios???!!! Me desejem muita sorte!!! :D

Bjs!