O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Precisamos falar sobre...


Discriminação/Preconceito

Eu estava há dias pensando sobre o que falar. Eram tantas as opções que não me decidia. Mas após refletir por algum tempo, olhando atentamente para este mundo, fiz a minha escolha.

Acho incrível, realmente admirável a capacidade que temos de usurpar o lugar de Deus. Nos sentindo no direito de olhar para o outro e o julgarmos, baseados no que nós consideramos certo, agindo conforme nossa vontade do momento.

Nós discriminamos, julgamos, apedrejamos, fazendo o que o próprio Jesus Cristo se negou a fazer. "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela". E ele, sendo o único ali sem pecado, perdoou a mulher que aqueles homens que olharam para os erros dela e não para os seus próprios erros, queriam apedrejar. Jesus em nenhum momento desejou condenar a Humanidade, veio ensinar amor. Toda a sua vida na Terra, Ele falou de amor. É irônico que nós, que nos consideramos seus seguidores, façamos o completo oposto.

Muitos se sentem muito bem abrindo a boca para falar dos homossexuais. "Porque é pecado, porque Deus proibiu isso na Bíblia". Sério, querido? E essa foi a única coisa que Deus proibiu, certo? Mais nada, não é mesmo? Seria engraçada se não fosse irritante a maneira seletiva das pessoas lerem a Bíblia, retirando somente aquilo que lhes interessa e ignorando todo o resto, sobretudo os ensinamentos de Jesus Cristo no Novo Testamento. É tanta hipocrisia que vejo em muitos daqueles que se sentem cheios de "verdade" e "poder" ao citar as Escrituras que penso que nada se aprendeu, que de nada valeu Jesus ter se sacrificado por nós. E é triste. Demais.

Ainda nos dias de hoje negros, mulheres, crianças, pobres, deficientes físicos e mentais e diversas outras pessoas são discriminadas por aqueles que não enxergam que não possuem moral alguma ou qualquer direito de julgar ou discriminar alguém. Animais são chutados, torturados, tratados como objetos quando não me recordo de Jesus ter ensinado em momento algum a crueldade. 

Jesus amou as crianças, dizendo que delas é o Reino de Deus e até hoje pais espancam seus filhos, destroem sua infância, causam marcas que elas levarão por toda a vida e o mais irônico é que muitos depois leem a Bíblia, oram e se sentem servos de Deus. 

Ele respeitou e amou as mulheres, vendo-as como seres humanos, preocupando-se com elas e não deixando sua mãe Maria, a Escolhida, desamparada. Antes de expirar naquela cruz, pediu ao discípulo a quem amava que cuidasse dela, que a partir daquele momento ela era sua mãe e ele, seu filho. E nós desrespeitamos e maltratamos as mulheres todo o tempo, viramos as costas para nossas mães, desprezamos aquelas que nos deram a vida. Não seguimos o exemplo de Jesus, mas abrimos nossas bocas hipócritas para nos considerarmos seus seguidores.

Jesus nunca ignorou aqueles caídos pela estrada, curou aqueles que necessitavam, entendeu a dor e o desespero deles, não olhando torto para ninguém que era deficiente físico ou mental. Todo o tempo, Ele amou e se importou. Enquanto muitos até os dias de hoje zombam dos deficientes, desprezam, humilham ou simplesmente ignoram. 

Vemos alguém sofrendo, precisando de ajuda e olhamos para o outro lado, pois temos nossos próprios problemas, porque não temos tempo para ajudar ninguém. Somos individualistas e egoístas. Mas deixa eu lembrar algo que talvez tenhamos esquecido: Jesus não precisava ter feito absolutamente nada por nós. Ele sequer precisava de nós. E ainda assim temos a cara de pau de pensarmos apenas em nós mesmos. 

Aquele que tinha direito de julgar não julgou. Aquele que tinha direito de discriminar, jamais fez distinção de pessoas. Quem tinha todos os motivos para nos odiar, o tempo inteiro nos amou. Realmente, ao que parece, não aprendemos nada.

Toda vez que vejo alguém citar a Bíblia para defender determinada posição preconceituosa, discriminadora, insensível e desumana, sinto repulsa e vergonha. Citam a Bíblia para o mal quando ela deveria ser um instrumento de perdão e amor.

Não. Não aprendemos nada. E isso porque simplesmente não quisemos aprender.

Enquanto sofria por pecados que não eram seus, Jesus pediu a Deus que perdoasse aquelas pessoas que lhe faziam mal, pois elas não sabiam o que faziam. Mais uma vez perdoando aqueles que não mereciam.

A verdade, porém, é que nós sabemos exatamente o que fazemos. Sempre soubemos. E continuamos preferindo fazer o mal ao outro quando fazer o bem não custaria nada. Não somos dignos de nenhum perdão. Sejamos sinceros: não somos mesmo. 


- Este é o meu nono texto para o Projeto Escrevendo sem Medo. O tema de setembro é complexo e nos incentiva a falar de determinados assuntos. Não foi fácil. Nem um pouco.

Não quis falar de religião, mas do maior exemplo de amor que o mundo já viu. Não importa de qual religião a pessoa seja, até mesmo se ela não tiver religião ou não acreditar em Deus, com certeza já ouviu falar de Jesus. 

Este projeto foi criado pela Thamiris do blog Historiar. Clique aqui para conhecê-lo melhor. 


E encerro com uma música que amo muito:
Música: Minha Essência
Cantor: Thiago Brado

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Livro de Mágoas - Florbela Espanca


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada.. a dolorida... (...)
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!...


Palavras de uma leitora...


- Antes de tudo... Infelizmente, não estou conseguindo postar pelo menos três vezes por semana, gente. A vida está corrida demais.kkkk... Está sendo impossível dar conta de tudo e como gosto de fazer as coisas com carinho, com todo cuidado, a partir da semana que vem as postagens ganharão novos dias pré-fixados: toda segunda e sexta-feira. Vamos ver se agora eu consigo!rsrs

"Sonhar um verso de alto pensamento,
E, puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração, 
O pó, o nada, o sonho dum momento..." 
[Trecho de Tortura]

- Eu estava um tanto deprimida há alguns dias e resolvi carregar este livro comigo, para reler meus sonetos preferidos. Acabei relendo todo o Livro de Mágoas e arrisquei fazer uma resenha especialmente dele, que é de longe o meu livro preferido dentro dessa Antologia. 

Publicado originalmente em 1919, o Livro de Mágoas é sua primeira reunião de obras poéticas. Ele é composto por 32 sonetos (33 se considerarmos que dois que são aparentemente iguais, mas possuem alguns trechos diferentes são dois sonetos separados), que nos atingem em cheio a alma e nos fazem pensar em tantos assuntos ao mesmo tempo que é como se estivéssemos numa montanha-russa, subindo lentamente a princípio para de repente cair com violência. Ora nos sentimos leves, alheios ao mundo e a nossos próprios sentimentos, mergulhados no que a poesia quer transmitir.. envolvidos em suas palavras... Ora somos golpeados com força, sentindo que o que está escrito ali é o que sentimos e não conseguimos falar nem para nós mesmos. Que é a nossa alma no papel. Choramos pela confusão de sentimentos que eles provocam. Pelo que perdemos e nem sequer sabíamos. 

"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas, 
Parece-me que foi numa outra vida..."
[Trecho de Lágrimas Ocultas]

- Lágrimas Ocultas é um dos meus preferidos não só do Livro de Mágoas, mas de toda a obra da Florbela. Já perdi a conta de quantas vezes o li e é sempre como se fosse a primeira vez. A mesma magia. Sinto uma nostalgia levemente dolorosa... Me pego revisitando o passado... Indo para outras épocas... Quando tudo era perfeito. Quando eu era criança e queria crescer, ser gente grande, acreditando que o mundo seria melhor quando me tornasse "adulta". Ao ler este soneto a vontade de ter de volta esses momentos, essa inocência, se torna mais forte. Desejo algo impossível de obter. Dói lembrar sabendo que não poderei ter esses dias novamente, mas ao mesmo tempo é uma saudade boa.

"Toda a noite choraste... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh' alma
Que chorasse perdida em tua voz!..."
[Trecho de Alma Perdida]

Sempre que leio o soneto Alma Perdida, penso numa noite escura, com quase nenhuma estrela. A lua cheia no céu, um vento leve passando e balançando as folhas... Imagino uma pessoa sentada à mesa escrevendo e parando muitas vezes para olhar pela janela. Ela está triste e não sabe como colocar seus sentimentos no papel. É quando ouve o rouxinol chorar, num canto tão doloroso, como se lesse sua alma, como se cantasse o que ela sentia. Vejo a moça largar a caneta e o papel e ir até a janela de onde observa o pássaro até que os olhos dos dois se cruzam, num entendimento silencioso. Não importa quantas vezes eu leia este soneto, a imagem é sempre a mesma. Vejo exatamente as mesmas cenas em minha mente. Devo ser realmente um tanto louca.kkkkkkkk... 

De modo geral, essa coletânea traz sonetos muito parecidos, que tratam de sentimentos profundos e intensos. Que falam de dor, tristeza, perda, solidão... Que falam numa descrença no amor ao mesmo tempo em que parecem ainda guardar alguma esperança por mais tênue que seja de que o amor existe e que vai chegar. Em algum momento ainda que tarde demais. 

São versos que falam com a gente. Que transbordam sentimentos, que parecem possuir vida própria não se limitando às páginas do livro. Eu amo todos os livros da Florbela, mas o Livro de Mágoas é o meu preferido, aquele que releio mais vezes e nunca me canso. Ele é especial.

"Mesmo a um velho eu perguntei: 'Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?'
E o velho estremeceu... olhou... e riu...

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados...
E eu paro a murmurar: 'Ninguém o viu!...'"
[Em Busca do Amor]


- É isso, queridos. É a primeira vez que faço resenha de poesia. Nunca antes consegui. Não passei da tentativa.rsrs Claro que a resenha não ficou perfeita nem nada, muito menos chegou aos pés do que a autora merece, mas espero que tenham gostado. :)

Deem uma chance à Florbela!!! Vocês não vão se arrepender! Tenho certeza que também se apaixonarão pelos escritos dela!

sábado, 16 de setembro de 2017

O Resgate no Mar (Parte 1) - Diana Gabaldon

(Título Original: Voyager
Tradutora: Geni Hirata
Editora: Saída de Emergência
Edição de: 2015)

3º Livro da Série Outlander 

Há vinte anos Claire Randall voltou no tempo e encontrou o amor de sua vida – Jamie Fraser, um escocês do século XVIII. Mas, desde que retornou à sua própria época, ela sempre pensou que ele tinha sido morto na Batalha de Culloden. 

Agora, em 1968, Claire descobre, com a ajuda de Roger Wakefield, evidências de que seu amado pode estar vivo. A lembrança do guerreiro escocês não a abandona… seu corpo e sua alma clamam por ele em seus sonhos. Claire terá que fazer uma escolha: voltar para Jamie ou ficar com Brianna, a filha dos dois. 

Jamie, por sua vez, está perdido. Os ingleses se recusaram a matá-lo depois de sufocarem a revolta de que ele fazia parte. Longe de sua amada e em meio a um país devastado pela guerra e pela fome, o rapaz precisa retomar sua vida. 

As intrigas ficam cada vez mais perigosas e, à medida que tempo e espaço se misturam, Claire e Jamie têm que encontrar a força e a coragem necessárias para enfrentar o desconhecido. Nesta viagem audaciosa, será que eles vão conseguir se reencontrar?



Palavras de uma leitora...


- Sei que demorei muito para ler a continuação da série. Mas vocês precisam entender que não sou a pessoa mais corajosa do mundo.rs Como disse no post Outlander - Série de Livros e de TV, estava com medo. Muito, na verdade. Tanta coisa aconteceu em A Libélula no Âmbar e saber que o casal passaria boa parte do livro três separado me fez adiar a leitura por tempo indeterminado.kkkkkk... Eu já tinha sofrido tanto... Só de pensar na dor que a Claire e o Jamie estariam sentindo... Foi demais para mim. 

E se vocês acham que adiei por muito tempo a leitura (um pouco mais de dois anos) o que diriam do que tenho feito com a Mat e o Eliah?!rs Li o primeiro e segundo livro da Trilogia Cavalo de Fogo em 2013. Até hoje não criei coragem para ler o último livro.kkkkk Penso bastante no meu casal querido. Este ano, então! Todavia, sigo não estando preparada para as torturas que sei que fazem parte do último livro. Ainda mais depois que li a história do Artémio e da Rafaela. Amo a Florencia Bonelli assim como também sou louca pelos livros da Diana Gabaldon, mas meu coração aguenta doses pequenas de sadismo por ano.rs E ver meus casais amados sofrendo, sendo feridos de maneiras insuportáveis não é algo que eu aprecie. 

"Claire. O nome cortou seu coração como uma faca, provocando uma dor mais torturante do que qualquer sofrimento que seu corpo já havia suportado."

Em A Viajante do Tempo, após passarem anos separados por conta da guerra, Claire e Frank resolvem viver a tão sonhada lua de mel. Assim, saem da Inglaterra para passar algum tempo na Escócia, conhecendo os mistérios e belezas daquela terra tão bonita que guardava os segredos de épocas devastadoras... A primeira e a Segunda Guerras Mundiais haviam passado, mas a Escócia, cerca de dois séculos antes, tinha vivido a sua própria destruição. 

Ao chegar à Escócia, em vez de recuperar o tempo perdido e finalmente conhecer de verdade a esposa, Frank decide aproveitar a viagem para aprofundar-se mais em seus estudos sobre os jacobitas, seus antepassados e a Batalha de Culloden, sem saber que estava prestes a perder a mulher que amava... e, talvez, para sempre.

Curiosa após ver um estranho ritual enquanto passeava com o marido, Claire não conseguiu tirar o lugar de sua cabeça. Algo a atraía, como se a chamasse. Não parando muito para pensar, retorna ao círculo de pedras na manhã seguinte, atravessando dois séculos antes que pudesse ter noção do que lhe acontecia. 

Agora na Escócia do século XVIII, perdida e confusa, seu caminho se cruza com o de Jamie Fraser... mudando para sempre a vida dos dois. Não queria estar ali. Queria voltar para casa, para o marido que deveria estar desesperado à sua procura. Aquele não era o seu lugar. Mas, conforme o tempo passa e ela vai conhecendo melhor o homem com o qual teria que se casar para salvar a própria vida, seu coração começa a não desejar o mesmo que sua mente. Como deixá-lo se bastava um toque para que ela esquecesse o mundo? Como pensar numa outra vida se ao estar em seus braços sentia que era aquilo que esperara por tanto tempo? Amava-o com seu sangue, seus ossos, todo seu corpo e alma. Não quisera amá-lo e se tivesse que pagar o preço por trair aquele que talvez ainda esperasse por ela... o pagaria com alegria, pois nada no mundo a faria deixar Jamie Fraser para trás... Nada. 

" - Eu vou protegê-la. Dele e de qualquer outra pessoa. Até a última gota do meu sangue [...]" 
[A Viajante do Tempo] 

Mas em A Libélula no Âmbar tudo foge ao controle de Claire e Jamie. Com a revolta jacobita estourando, segredos, intrigas, mentiras e assassinatos por toda parte, o destino interfere separando os dois. Eles fizeram tudo o que puderam para impedir aquela guerra. Traíram amigos, correram riscos numa tentativa desesperada de mudar a história. Como permitir que uma guerra que destruiria tantas vidas acontecesse? Como não fazer nada diante da certeza de que tantas pessoas queridas ficariam pelo caminho e que os que sobrevivessem desejariam estar mortos? Não podiam permitir, mas o tempo trataria de provar que a história não poderia ser mudada e que o que tivesse que acontecer... aconteceria.

Ainda tentando recuperar-se do pesadelo que viveram na França, enquanto lutavam para impedir a Batalha de Culloden, Claire e Jamie retornam à Escócia. Parte deles ficaria para sempre naquele país... como o bebê que morreu ali. Eram muitas as lembranças, mas recomeçar era necessário. E enquanto tivessem um ao outro suportariam o que fosse. 

Todavia, após Dougal Mackenzie, tio de Jamie, ouvir uma conversa reveladora entre os dois, tudo caminha rapidamente para a mais dolorosa separação. Forçado a matar o tio para salvá-la, Jamie sabia o que precisaria fazer em seguida. Destroçado, leva Claire até onde tudo começou... Ela precisaria ir embora. Salvar o filho que esperava. Porque o destino dele já estava selado. Morreria em Culloden, cumprindo a história. Mas ela precisaria salvar o bebê, para que tudo valesse a pena. Para que sua morte não fosse em vão. 

Ninguém um dia poderia entender ou sentir a dor que a sufocou ao atravessar aquelas pedras outra vez... De volta ao seu mundo. Ao seu marido. Sabendo que Jamie não sobreviveria. Sabendo que ele estava disposto a morrer na guerra. Como imaginar uma vida sem ele? Como seguir em frente se as lembranças não a deixavam? Seu corpo ansiava pelo dele, seu coração gritava seu nome. Queria só mais uma chance. Uma oportunidade de voltar para ele. Para reviver o que um dia os uniu. 

E assim... Vinte longos e insuportáveis anos se passam. Cumprindo a promessa que lhe fez, Claire cria a filha dos dois ao lado de Frank. Com o tempo habituara-se à dor e conseguira seguir em frente. Mesmo que o visse em todas as partes. Mesmo que nunca o tenha esquecido. 

Porém, quando Frank morre e ela decide retornar à Escócia para que Brianna conheça a sua história, revelações chocantes a fazem perceber que talvez Jamie não tenha morrido em Culloden... que talvez ainda fosse possível encontrá-lo. Teria coragem? Conseguiria deixar a filha dos dois e ir ao seu encontro? 

"Permaneci imóvel, a visão embaciada, e naquele instante ouvi meu coração se partir. Foi um pequeno som, nítido, como o estalido da quebra do caule de uma flor."
[A Libélula no Âmbar]


No final do segundo livro, Claire descobre que Jamie realmente não morreu na guerra. Dividida entre a dor por tantos anos de separação e a esperança de ainda poder vê-lo, começa uma busca frenética na História, numa tentativa de rastrear seu paradeiro e então tomar a mais difícil decisão de sua vida. Porque a esperança também era acompanhada pela angústia de ter que escolher entre ir ao seu encontro, se ele de fato ainda estivesse vivo, e ficar com Brianna, a filha que teria que deixar para trás se atravessasse as pedras outra vez. Como escolher? 

"- Jamie - disse em voz alta. Meu coração batia com força no meu peito. - Jamie - disse outra vez, mais serenamente."

- Quem leu o primeiro livro da série sabe que as coisas terminaram bem entre nosso casal. O que contribuiu para o choque enorme que levamos assim que iniciamos a leitura do segundo livro. Porque A Libélula no Âmbar já começa em 1968, vinte anos após a separação entre Claire e Jamie. Uma separação que não esperávamos, algo que não entendíamos e nos angustiava. Como assim? Vinte anos? O que diabos aconteceu? Perdi alguma coisa? Então, depois de nos mostrar um pouco da vida da Claire no presente, com a filha já adulta numa viagem pela Escócia com ela, retornamos ao passado... e então tudo faz sentido... 

Acaba que o casal não fica separado de verdade no livro 2. Sabemos que estão, mas a autora passa o livro quase todo mostrando o passado e isso nos dá a maravilhosa sensação de que estão juntos ainda, que tudo não passou de um pesadelo. Apenas no final do livro voltamos novamente para o presente... e aí a ficha cai. De uma maneira bem dolorosa. 

"A memória voltou de repente e ele soltou um urro. Estava enganado. Aquilo era o inferno. Mas James Fraser, afinal de contas, não estava morto."

Quando O Resgate no Mar começa, nos vemos novamente levados ao passado. Só que enquanto no segundo livro fomos ao período anterior à separação, aqui conhecemos o que se passou depois. E, acreditem, foi muita coisa. Muita. :( Conseguem imaginar o que é estar longe de quem amam? Não ouvir sua voz, não sentir o toque da sua pele, ver seu sorriso, suas manias, sentir sua presença? Querer chorar em seus braços e não poder? Viver durante anos sem saber o que aconteceu, contando apenas com possibilidades e fé. Se conseguem imaginar, então podem ter uma ideia do que Claire e Jamie passaram. Mas foi além disso. Porque a Batalha de Culloden aconteceu, deixando cinzas e dor por toda a parte. 

Ele ainda não sabia por que não tinha morrido. Confuso após despertar, sem saber se estava no inferno ou não, mas imaginando que estava morto, Jamie demorou um pouco para perceber que estava deitado ao lado dos corpos daqueles que perderam tudo naquela guerra. Amigos, inimigos... Os sangues se misturavam e eles pareciam ainda estar ali... A alma relutando em entender, em partir... Começando a sentir frio, é então atingido pela dor dilacerante. Todo seu corpo doía, mas sua perna queimava com a ferida que não demoraria a matá-lo se não recebesse ajuda. 

Não queria que o salvassem. Tudo o que desejava era que a morte chegasse logo. Porque a consciência também trouxe de volta as recordações... e a perda. Claire. Ela não estava mais ali. Não poderia encontrá-la. Nunca mais a veria. Cego pelo sofrimento, sem mais forças para continuar, deixou-se morrer. Mas o destino, fazendo novamente suas próprias escolhas, interferiu, fazendo com que ele vivesse... contra sua vontade. Será que não entendiam que ele queria partir? Que não existia vida sem ela? 

"As lágrimas escorreram lentamente por baixo de suas pálpebras cerradas e ele virou-se dolorosamente de lado, para escondê-las dos outros.
Deus, que ela esteja a salvo, rezou. Ela e a criança."

Uma antiga dívida de honra faz com que Jamie não seja executado pelos ingleses. Do seu canto no chão, com uma infecção que não demoraria muito tempo para matá-lo, Jamie foi obrigado a escutar os disparos que tiraram a vida daqueles que como ele tinham sobrevivido à batalha. As ordens da Coroa eram fuzilar todos os soldados inimigos que tinham sobrevivido, ou seja, os escoceses. Sem piedade, os soldados executaram um por um e Jamie só desejava que sua vez chegasse logo, mas ao ser reconhecido pelo homem encarregado pelos fuzilamentos, uma estranha ironia do destino faz com que ele seja poupado e levado clandestinamente até sua casa, para os braços de sua irmã. 

Quando fica bom o suficiente para entender que não morreria como desejava, pode então perceber... Aquele era o início... de uma vida sem ela. Claire. Conseguiria? Teria forças para seguir em frente, para continuar sem a mulher que jamais deixaria de amar? 

"- Ele deu você para mim - disse ela, tão baixo que eu mal conseguia ouvi-la. - Agora eu tenho que devolvê-la a ele, mamãe."

Um dia, mais de vinte anos atrás, ela atravessou aquelas mesmas pedras, quando não sabia o que fazia ou o que encontraria do outro lado. Conheceu uma nova vida e o homem que sentia que era parte de seu próprio corpo. Que nunca estaria completa sem ele. Mas... três anos depois, sentindo-se sangrar por dentro, as circunstâncias a levaram embora. Agora... estaria preparada para atravessá-las pela terceira vez? Encontraria a felicidade como da primeira vez ou o desespero que a atingiu na segunda? Não sabia. E tinha medo. Mas precisava ir... Precisava estar ao seu lado. Queria voltar a respirar. A sentir-se viva outra vez. 

"Não sei quanto temo ficamos ali sentados no chão, chorando nos braços um do outro com a saudade de vinte anos derramando-se pelos nossos rostos."

- Não dá, gente. Não dá para colocar em palavras tudo o que senti durante esta leitura. A forma como me envolvi com cada acontecimento, com as pequenas alegrias e as terríveis dores dos personagens. Meu Jamie sofreu tanto! :( Não sei bem se a autora o ama ou odeia, tendo a acreditar na segunda hipótese. Porque ele sofreu os tormentos do inferno antes da Claire, quando o Black Jack apareceu em sua vida provocando destruições que me dói só de lembrar. E aí ele conheceu a nossa mocinha e mais uma vez foi golpeado pela vida, indo parar nas mãos do mesmo monstro num pesadelo que sinto náuseas quando recordo, que ainda me provoca arrepios e desespero. Ao lado dela não vive só a dor e humilhação que o Black Jack lhe causa. Claro que não! A autora queria mais e então vem a França! Enfim... A Diana deve mesmo odiá-lo! Porque ele sobreviveu à Culloden, mas pagou um preço muito alto. Durante vários anos...

Todavia, mesmo revoltada com a autora por separar o casal por tantos anos e provocar todos os sofrimentos que marcaram a vida dos dois, este é o meu livro preferido da série até agora. :) Não sei explicar. Me envolvi tanto... Acompanhei cada momento como se estivesse dentro da história, como se pudesse realmente ver o que acontecia. Também vivi algo semelhante durante a leitura dos outros dois, mas tem algo especial neste aqui. Algo que me tocou de uma maneira diferente, que o tornou único. Que me fez desejar recomeçar a leitura imediatamente após terminá-la. Existem coisas impossíveis de explicar. Coisas que apenas sentimos. Essa é uma delas...

"- Culloden - disse ele, a palavra sussurrada uma evocação de tragédia. Morte. Vazio. A terrível separação que me tirara dele.
- Eu nunca mais o deixarei - murmurei. - Nunca mais."

- Quando o reencontro finalmente aconteceu... Eu não sabia se ria ou se chorava. Para piorar minha situação o Jamie desmaiou.kkkkkkkkk... Aí fiquei igual uma doida rindo e chorando ao mesmo tempo.rsrs Jamie nunca deixará de ser esse escocês deliciosamente irresistível. Um guerreiro corajoso, implacável quando necessário, mas fiel à Claire de uma maneira tão bonita que nos emociona até as lágrimas. Que lutava o máximo que conseguia contra as necessidades do corpo, pois quando precisava deitar-se com uma mulher sentia que a traía, mesmo que a esperança de voltar a vê-la nesta vida não existisse. Um homem que seria capaz de ir ao inferno para salvá-la, mas que vomitava ao atravessar o mar e desmaiava ao rever fantasmas.rs Um assassino quando necessário, um contrabandista, um rebelde, mas também alguém que "adotou" um pequeno chinês encrenqueiro, que criou um pequeno batedor de carteiras como seu próprio filho, que colocava as necessidades dos outros acima das suas, se hospedava num bordel e jamais se deitava com as prostitutas, pois as respeitava como pessoas, como seres humanos e tinha princípios arraigados. Este é o meu Jamie. Nunca mudaria. Acontecesse o que acontecesse, em sua essência ele sempre seria o mesmo. 

" - Não sinto medo há muito tempo, Sassenach - sussurrou ele. - Mas agora acho que estou sentindo. Porque agora eu tenho algo a perder."

- Paro por aqui, queridos. A resenha já ficou longa demais.kkkkkkk... Continuarei a falar deste livro na resenha da segunda parte. Como vocês sabem, o terceiro livro da série foi dividido em dois livros, Parte 1 e 2. Este volume de 567 páginas (estou contando com a numeração da última página da história e não do livro em si) é apenas a primeira parte.rsrs 

Infelizmente, não poderei começar a Parte 2 hoje e nem nos próximos dias. :( Algo que me deixa um tanto irritada. É que preciso ler o livro escolhido para o tema deste mês do Desafio 12 Meses Literários. Mas assim que terminar retorno para Claire e Jamie. :D

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Enfermeiro - Machado de Assis (conto)


Contos Escolhidos - 9/30

Machado de Assis é um dos mais renomados contistas da literatura brasileira. Transitando entre os diversos tipos de contos - do tradicional ao moderno -, seus textos são originais e complexos. São contos cheios de acontecimentos intensos - quase sempre envolvidos num clima de tensão -, repletos de personagens polêmicos e ambíguos e de jogos e armadilhas textuais que induzem à dúvida, relativizando a maior parte das ideias e levando o leitor a refletir sobre suas "certezas". 



Palavras de uma leitora...


- Faz quase um mês que não leio nada do Machado de Assis e sentia muita falta. Com seus contos, ele já se tornou um dos meus autores preferidos. Imagina quando ler seus romances!rsrs

A história é contada pelo protagonista, através de uma carta, uma espécie de confissão antes de sua morte. Ele estava no fim de suas forças, mas esperava que o autor para o qual escrevia publicasse sua história desde que após sua morte. Algo que aconteceria dali a talvez um pouco mais de uma semana. 

Com suas palavras, somos levados ao ano de 1860, quando ele era ajudante de um padre e lhe ofereceram um emprego de enfermeiro no interior, para tomar conta de um coronel muito doente e difícil. O homem era extremamente violento, fosse pela doença ou por uma natureza cruel, e ninguém conseguia trabalhar por muito tempo naquela casa. Vários enfermeiros tinham antecedido Procópio, nosso protagonista, mas ele acreditou que tiraria de letra, pois não tinha medo de nada, muito menos de um velho doente e ranzinza. 

Para sua surpresa, o coronel o recebeu bem e durante uma semana tudo parecia fácil. Mas no oitavo dia...

"No oitavo dia, entrei na vida dos meus predecessores, uma vida de cão, não dormir, não pensar em mais nada, recolher injúrias e, às vezes, rir delas, com um ar de resignação e conformidade"

Com o tempo, as coisas só pioraram. As agressões verbais se tornaram físicas e toda vez que Procópio pensava em ir embora, o doente suplicava para que ele ficasse, que nunca mais faria o mesmo, que precisava dele, que estava morrendo... Deixando-se levar pelas palavras do coronel, ele ia ficando... Até que um dia, as coisas mudaram de uma maneira definitiva...

- Nunca me canso de admirar o talento deste escritor. A forma como ele nos envolve já nas primeiras palavras e faz com que devoremos as páginas, que mergulhemos na vida dos personagens e não possamos esquecer suas histórias mesmo que sejam curtas, mesmo que contadas em breves contos. 

Fiquei impressionada com a história do Procópio. Confesso que imaginava que as coisas terminariam daquele jeito, tudo caminhava para um final como aquele. Ainda assim, foi um choque. 

Estou mais do que ansiosa para ler um romance do Machado de Assis. Seus contos são tão bons que cada vez fica mais difícil me segurar para ler os livros que estão na frente. Penso em começar por Dom Casmurro, uma de suas histórias mais famosas e estudadas. Mesmo sem tê-la lido já conheço o drama de Capitu.rsrs 


Contos anteriores:

Missa do Galo
Conto de Escola
Cantiga de Esponsais
Teoria do Medalhão
O Espelho
A Cartomante

A Causa Secreta
Mariana