O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Querida Sue - Jessica Brockmole

(Título Original: Letters from Skye
Tradutora: Vera Ribeiro
Editora: Arqueiro
Edição de: 2014)

Uma carta dá início a uma história de amor que nem duas guerras poderão apagar

Março de 1912: Elspeth Dunn, uma poetisa de 24 anos, nunca viu o mundo além de sua casa na remota Ilha de Skye, na Escócia. Por isso fica empolgada ao receber a primeira carta de um fã, David Graham, um estudante universitário da distante América. Os dois começam a trocar correspondências - compartilhando os segredos mais íntimos, os maiores desejos e os livros favoritos - e fazem florescer uma amizade que, com o passar do tempo, se torna amor. Porém a Primeira Guerra Mundial toma a Europa e David se oferece como voluntário, deixando Elspeth em Skye com nada além de esperanças de que ele sobreviva.

Junho de 1940: É o início da Segunda Guerra Mundial e Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Real. A mãe a adverte sobre os perigos de se entregar ao amor em tempos de guerra, mas a jovem não entende por quê. Então, durante um bombardeio, uma parede de sua casa é destruída e, de dentro dela, surgem cartas amareladas pelo tempo. No dia seguinte, Elspeth parte, deixando para trás apenas uma carta datada de 1915. Com essa única pista em mãos, a jovem decide ir em busca da mãe e, nessa trajetória, também precisará descobrir o que aconteceu à família muitos anos antes. 

Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário. 



Palavras de uma leitora... 


- Creio que é a primeira vez que começo a escrever a resenha aqui no blog sem antes colocar a sinopse. Claro que quando vocês lerem este post tudo já estará arrumadinho, formatado, com a sinopse em seu devido lugar antes do "Palavras de uma leitora..."rsrs Acontece que só tenho cerca de uma hora e trinta minutos para tentar colocar em palavras tudo o que sinto por esta história. Depois terei que me arrumar correndo para ir trabalhar. Por isso, comecei pela resenha em si. 

Sabe quando a intuição te leva a ler um livro especial? E não apenas uma história especial, mas uma das mais preciosas da sua vida. Aquela que você quer guardar num cantinho único e folhear todos os dias, se possível. Aquela que te arrancou lágrimas diretamente da alma, te preencheu de sentimentos lindos e ao mesmo tempo deixou um vazio que não poderá ser ocupado nunca. Foi exatamente o que aconteceu comigo ao ler Querida Sue. Ah, gente! Nunca mais serei a mesma. Livros realmente transformam pessoas. Sem sombra de dúvidas! Livros são capazes de nos marcar, de cravar-se como cicatrizes dentro de nós. O que seria da minha vida sem os livros? Acho que não existiria uma vida. 

- Foi num dia como outro qualquer. Eu estava fazendo minha costumeira visita às Lojas Americanas (meu lugar preferido para comprar livros, seguindo de perto pela Saraiva, é óbvio!) quando vi alguns livros em promoção. Daquelas promoções de verdade, sabe? Peguei alguns livros, li suas sinopses e fique com vontade de trazer vários, mas quando bati os olhos em Querida Sue, senti uma coisa diferente. Não sei explicar. Eu o peguei nos braços (sim, foi bem assim mesmo!) e antes mesmo de ler a sinopse o quis demais. Como eu queria aquela história! Pensei comigo mesma: "Com tantos livros dos quais já ouvi falar para comprar por que escolher justamente um do qual você nunca ouviu nada?" O que era Querida Sue? Não fazia a menor ideia. Embora leia muitas resenhas na blogosfera literária, nunca tinha esbarrado numa resenha sobre essa história. Mesmo assim, soube que precisava desse livro. E não sairia de lá sem comprá-lo. 

Minha pilha de leituras nunca diminui, como vocês já sabem, por isso fui adiando a leitura dele. Mas o comprei ano passado, gente! E não pensei duas vezes ao colocá-lo na meta literária deste ano. :) Sim, ele saiu passando na frente de diversos livros.rsrs E o li num dos momentos que mais necessitava. Estou aqui chorando outra vez!kkkkkkk Sinceramente, não sei como ainda tenho lágrimas! A Jessica Brockmole fez de tudo para me desidratar durante esta leitura. 

- Existem escritores maravilhosos espalhados por este mundo. Sei disso! Muitos eu sequer terei a oportunidade de conhecer um dia, infelizmente. Outros já tive a privilégio de ler. Mas entre todos esses escritores talentosos e que nos fazem sentir um milhão de coisas, existe aquela parcela especial. Existem aqueles que possuem mais que talento... Que nasceram para escrever, que vieram com algo além desde o nascimento, entende? Para mim, a autora de Querida Sue tem esse algo especial. Eu mais do que viajei durante a leitura, queridos! Realmente  me senti dentro da história, sentindo absolutamente tudo com os personagens. E não queria que acabasse. Adoraria fazer parte da vida deles para sempre. 

Ainda não consegui parar de chorar. Mas não me sinto triste. Estou muito feliz por ter conhecido esta história. É um privilégio e tanto! Por favor, me digam que a Jessica escreveu mais histórias como esta e que elas também foram publicadas no Brasil! Eu necessito ler tudo o que ela tiver escrito. E o que ainda venha a escrever. Já foi direto para minha lista de autoras mais que queridas. 

"Eu devia ter lhe contado. Devia tê-la ensinado a proteger seu coração. Ensinado que uma carta nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma. Ah, se você soubesse..."

- Não sei por onde começar. Como a Sue, me sinto sem palavras. Como colocar no papel tudo o que sentimos, tudo o que uma história nos provocou? Meus pensamentos estão desorganizados e minhas emoções, então! Queria não ter que trabalhar hoje. Queria poder ir para a Ilha de Skye, onde tudo começou entre eles, e visitar o lugar em que a Elspeth viveu e onde recebeu as cartas que mudariam toda sua vida. Mais do que isso, queria voltar no tempo, a um ano em que eu nem sonhava em existir... 1912. Março de 1912. Quando a vida da nossa protagonista realmente começou. 

É possível se apaixonar por alguém que você nunca viu em sua vida? Por uma pessoa com a qual você apenas trocava cartas? Pode o amor invadir as palavras escritas e atingir seu coração antes mesmo que se possa perceber? Embora fosse uma poetisa sonhadora, que vivia afastada do mundo "real", Elspepth não teria acreditado em algo assim... antes de receber a primeira carta. 

- Embora fosse uma escritora muito querida por todos os que tiveram a oportunidade de ler seus poemas, ela jamais tinha recebido a carta de um fã. Por isso, qual não foi seu choque quando aquele americano atrevido lhe escreveu. Ele tinha ganhado o livro de presente de um amigo, pois suas histórias ainda não tinham sido publicadas nos EUA. E ficara tão encantado por toda emoção que transparecia daqueles versos, que tivera a ousadia de lhe enviar uma carta, mesmo acreditando que ela se perderia numa pilha de outras enviadas por fãs. E com isso, deu início a tudo... A uma história de amor que tempo e guerra alguma seria capaz de destruir. 

"Uma vez, faz muito tempo, eu me apaixonei. Um amor inesperado, estonteante. Que eu não quis deixar partir."

O que era para ser apenas uma inocente troca de cartas entre uma escritora e seu fã, não demorou nada para tornar-se algo mais profundo, algo que não queriam perceber. Ela era uma jovem mulher casada, que não conhecia outra vida que não fosse aquela. Jamais saíra de sua pequena ilha, pois tinha tanto medo do mar que se transformara em prisioneiro de seu mundo, sem jamais ter coragem de conhecer todos os lugares que sonhava em ir. Ele era um estudante universitário que não sabia bem o que desejava da vida, apenas que não era cursar medicina como seu pai impusera. Ele queria viver. Sentir. Se apaixonar. E nos versos de sua querida poetisa, encontrava a mais que não conseguia enxergar no vazio que eram seus dias naquele campus. Amá-la foi natural. Ninguém era capaz de entendê-lo melhor que ela. Quanto mais lhe escrevia mais desejava largar tudo e conhecê-la. Mesmo que ela fosse casada. Ainda que fosse um pecado desejar tê-la ao seu lado. Quem pode mandar no coração? Quem é capaz de controlá-lo? 

"Mas então veio a comoção da guerra, e não era hora nem lugar para um novo amor. Numa guerra, as emoções podem ficar confusas, as pessoas podem desaparecer, as opiniões podem mudar. Talvez tenha sido um erro eu me apaixonar tão de repente."

Por anos eles se corresponderam. Cada carta era esperada ansiosamente, pois ambos sentiam que viviam por aqueles momentos, mesmo que tentassem controlar tudo o que sentiam. Não podiam se amar. Era errado. Por isso, nunca se atreviam a colocar em palavras o amor que aquelas cartas despertaram. Ela continuava com sua vida ao lado de um homem distante e ele decidira ficar noivo, prestes a começar seu próprio caminho. Então, por que não conseguiam parar de escrever? Por que ele não era capaz de sentir nada pela noiva? Eram os lábios de sua querida Sue que ele desejava. Era o toque de sua pele na dele. Então, a 1ª Guerra Mundial começara... e diante da possibilidade de uma perda definitiva finalmente tiveram coragem para viver aquele amor. No momento equivocado. Porque cada instante juntos era seguido de meses de separação. E sempre pairava sobre eles o adeus... aquele que não seriam capazes de enfrentar... 

"Não me deixe partir para o front sem tê-la tocado pela primeira vez, sem ter ouvido a sua voz dizer meu nome. Não me deixe partir para o front sem levar uma lembrança sua no coração."

Ano de 1940. Em plena 2ª Guerra Mundial, Margaret apaixonasse perdidamente por um piloto da Força Aérea Real. Jamais entregara seu coração antes, mas quando estava com ele, esquecia-se do mundo. De tudo. Sabia que poderia perdê-lo, que naquela guerra nada era garantido. Um dia simplesmente poderia receber uma carta informando sua morte. Mas não queria deixar de viver, de amá-lo. Nem mesmo a oposição de sua mãe a impediriam de seguir em frente com aquele romance. Mas quando uma bomba cai em sua rua e as paredes de sua casa revelam cartas amareladas pelo tempo, todo o mundo de Margaret sofre um tremendo abalo. Conseguindo esconder apenas uma carta datada de 1915, antes que sua mãe recolhesse e guardasse todas as outras, ela não consegue entender quem poderia ser Sue e por que sua mãe ficara tão transtornada ao olhar para aquelas cartas. Como se não bastasse isso, ela desaparece logo em seguida e Margaret não faz ideia de para onde possa ter ido. Teriam aquelas cartas alguma coisa a ver com o desaparecimento de Elspeth? O que se esconderia no passado de sua mãe? Num passado do qual a vida inteira ela se negou a falar... 

"Afora eu, minha mãe passou as duas últimas décadas sozinha. Até vê-la naquela noite de bombardeio, na noite em que a guerra lhe rasgou o coração, eu nunca saberia. Nunca teria visto quanto ela era solitária. Nunca teria descoberto o que ela perdeu."

- Querida Sue intercala presente e passado de uma maneira cuidadosa e fascinante. Ora acompanhamos os acontecimentos do ano de 1940 ora voltamos para 1912 e todos os outros anos que seguiram antes do abrupto fim. E uma coisa que vocês talvez não saibam é que essa história não possui um narrador imparcial, uma terceira pessoa que nada tem a ver com o livro e apenas nos conta como tudo aconteceu. Não tem nada disso. Nem mesmo um narrador-personagem contando toda a história. Não tem nada daquilo com o que estamos acostumados. A história nos é mostrada TODA por cartas. Não existe um só capítulo, uma só página que seja diferente. O livro é escrito em cartas, gente! Algo que eu nunca tinha visto antes. 

Os trechos que coloquei nesta resenha são trechos das cartas trocadas entre os personagens. Tudo o que conhecemos vem das palavras que escreveram. Achei que não daria certo, que em algum momento a autora precisaria narrar algo, mas não. A história flui naturalmente dessa maneira peculiar e quanto mais lemos as cartas mais desejamos conhecer todas as outras. Nós invadimos a vida dos personagens, conhecendo seus segredos mais profundos, tristezas, alegrias, amores, medos, perdas... Entendem agora por que me sinto tão perto deles? 

"Penso nisso muitas vezes, Sue. Aqui estou. Não importa onde eu esteja no mundo, 'aqui estou'."

- Esta é uma das histórias que mais me emocionaram nesta vida. Como era possível eu viver num mundo em que não tivesse lido este livro?! Sinto algo muito forte e lindo por ter tido a chance de ler as cartas de Elsepth e David. Por ter conhecido a Margaret e seu querido Paul... Por ter sentido tudo com eles. Como esquecê-los? Nem nascendo de novo. 

"Certa vez você me falou, há muito tempo, que era muito clichê dizer que se podia amar alguém para sempre. Existe alguma palavra que signifique 'por mais tempo do que para sempre'? É por esse tempo que eu a amarei. 
Agora, para sempre, e depois. Amo você."

- Me dói ter que me separar do livro. Sei que preciso conhecer outras histórias que também me apaixonarão. Mas mesmo enquanto eu as ler, seguirei pensando em Querida Sue e dormirei com o livro sob o meu travesseiro. Por algum tempo... 

Esta foi minha sexta leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. A história de Elspeth e David preenche o Desafio 7: ler um livro que se passe em um período histórico importante. O livro se passa durante as 1ª e 2ª Guerras Mundiais. Restam só 3 livros agora! Será que conseguirei cumprir todos os desafios até o dia 30?! Veremos!rsrs 

"A guerra é impulsiva, ela me disse, e o que nos resta não passa de fantasmas."

Obs.: Quer um conselho? Se encontrar esta história numa livraria, supermercado, sebo ou qualquer outro lugar no qual esteja à venda, compre-a!!! Não desperdice a oportunidade! Porque dei uma olhada no site da Saraiva hoje e o livro aparecia como indisponível. Não tive tempo de conferir outros sites ainda, mas suspeito que vai ser difícil para as pessoas encontrarem este livro. :( O que aparecia para venda na Saraiva era apenas o ebook. Graças a Deus, não desperdicei minha chance em 2016 e tenho o meu exemplar de Querida Sue ao meu lado. Amo demais esta história! Muito mais do que podem imaginar. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Senhora - José de Alencar


Senhora, de José de Alencar, é considerado um dos romances mais bem elaborados do autor e faz parte do chamado "perfis de mulheres". Este romance urbano é narrado em 3ª pessoa e se distingue pelo fato da mulher ser quase o tempo inteiro o sujeito da história. 

Senhora se divide em quatro partes intituladas: O Preço, Quitação, Posse e O Resgate. 

O romance conta a história de como Aurélia Camargo, jovem debutante de 18 anos, bela e herdeira de uma grande fortuna, resolve vingar-se do homem que, no passado, a havia humilhado, trocando-a pelo dote de outra mulher. 




Palavras de uma leitora... 


Luna, jura que nunca leu esta história antes? Nem na escola? Juro, gente! Eu cheguei a tentar ler no passado, mas não deu lá muito certo.rsrs E quem poderia me culpar?kkkk Nem mesmo o autor, pois até ele precisaria reconhecer que sua escrita é bem difícil! Comecei a ler a história na segunda-feira à noite e, apesar de só ter 205 páginas, só hoje consegui concluí-la. O que, obviamente, atrasou bastante minha pilha de livros da maratona.rsrs 

Vários anos atrás, quando era ainda uma adolescente (e já tinha lido O Morro dos Ventos Uivantes sem muita dificuldade com a escrita da autora, embora tenha lido uma edição bem antiga), tentei encarar Senhora. O resultado foi que li 52 páginas e abandonei o livro, pois eram muitos os transtornos que o floreado do autor me causava!kkkkkk... Não é a narração em si que acho complicada, mas a quantidade de comparações, de uso de figuras de linguagem que existem no livro. E a maneira como ele realmente "enfeita" a história. Era tanto céu, estrelas e muitas outras palavras usadas para descrever ambientes e pessoas, que eu ficava bem cansada. Isso foi o que me irritou durante a leitura. Me irritou muito, só para ressaltar. Sei que muitos autores da época do José de Alencar escreviam desse jeito, mas a Emily Brontë também é uma autora clássica e nem por isso enrolava tanto para dizer o que pretendia. Enfim... Implicâncias à parte, vamos ao livro! :)

- Mas antes... Esta não foi minha primeira experiência com o autor. Li uma história dele anos trás chamada O Guarani e posso dizer com todas as letras que AMEI! Não lembro do livro ser tão enfeitado como Senhora, embora o autor o tenha escrito antes mesmo deste aqui. E de modo algum detestei a história de Aurélia e Fernando! Pelo contrário, a amo ainda mais que O Guarani! :D Como não amar um livro que nos apresenta uma mocinha tão forte e corajosa, despedaçada pela traição do homem amado e que mesmo assim deu a volta por cima para fazê-lo pagar por todo o dano que lhe provocou? Seria impossível! Não tem como não amar a Aurélia! Ela é uma mocinha de verdade! E o mais incrível é que a história foi escrita no século XIX! 

"Sentiu então Aurélia essa quietude que sucede às lutas do coração. Ela tinha afinal resolvido o problema inextricável de sua vida; e em vez de abandonar-se ao acaso e deixar-se levar pelo turbilhão do mundo, achara em sua alma a força precisa para dirigir os acontecimentos e dominar o futuro."

Aurélia é uma jovem herdeira de 19 anos, bem à frente do seu tempo, não permitindo que pessoa alguma decida a sua vida. Enquanto outras moças estavam acostumadas a serem governadas por seus pais, maridos ou tutores, ela era dona de si, sabendo exatamente o que queria e como conseguir. Era adorada pelos homens da sociedade e invejada por muitas mulheres. Sabia que era bela, mas que sua principal sedução era a riqueza. Que nenhum daqueles que tanto lhe juravam amor perderiam o tempo com ela se não fosse o seu dinheiro. Assim, cética e irônica, passou a ver a todos do mesmo modo... avaliando cada um de uma forma um tanto "monetária". 

"[...] - É um moço muito distinto, respondeu Aurélia sorrindo; vale bem como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro para pagar um marido de maior preço, Lísia; não me contento com esse."

E Aurélia sabia exatamente a quem queria comprar. O mesmo homem que, anos antes, a deixara pelo dote de outra mulher. Que a trocara por dinheiro. Se deixara de ser uma jovem ingênua e sonhadora não existia melhor pessoa a agradecer. O homem que partiu seu coração e destruiu todas as ilusões que ela possuía. Nada mais era que o resultado de sua traição. 

No passado, Aurélia não passava de uma moça belíssima desejada pelos homens para uma noite apenas. Embora todos lhe dedicassem poemas e fizessem promessas de amor, tudo o que queriam era seduzi-la para depois abandoná-la à própria sorte. Porque Aurélia possuía um defeito imperdoável: era uma menina pobre. 

Seus pais tinham lutado por um amor proibido que mais lhes trouxe tristezas que alegrias. Ao perder o marido, com dois filhos pequenos para criar, a mãe de Aurélia tinha que desdobrar-se para que tivessem o que comer, algo que contribuiu para aumentar sua fragilidade e precipitar sua morte. A família de seu marido era muito rica, mas havia virado às costas para ela e seus filhos, não acreditando no casamento dos dois e considerando-a uma perdida. Sua própria família também a abandonou e Aurélia se viu totalmente sozinha ao perder o irmão e, logo em seguida, a mãe. 

Nem pôde dar à mãe a alegria e tranquilidade de lhe ver casada, pois a essa altura já tinha deixado para trás todas as ilusões. Conhecera Fernando pouco antes da morte de sua mãe e com ele descobrira o amor. Pela primeira vez tinha sentido algo tão forte em sua vida e acreditara com todo o seu coração que, mesmo que não pudessem ficar juntos, sempre o amaria. Mas mal pôde conter a felicidade quando ele pediu a sua mão em casamento. Será que era perigoso sonhar? Será que era arriscado ter esperanças? Sabia o que era e que tão pouco tinha a oferecer a alguém como ele. Mas o amava mais do que a si mesma. Porém, a alegria de Aurélia não demorou a acabar. E uma dor profunda a invadiu. 

Arrependido do impulso que o levou a pedir a jovem que acreditava amar em casamento, Fernando ansiava por um pretexto para livrar-se daquela responsabilidade. Tinha muitos planos para si mesmo e não desejava ver-se preso a uma mulher que teria que sustentar. Como pagaria os luxos que tanto adorava? Como frequentaria a sociedade e os lugares cujas portas abriam-se para ele por causa das amizades influentes e sua maneira elegante de se vestir, embora não tivesse berço nem onde cair morto? Não estava disposto a abrir mão de sua vida, ainda que acreditasse amar Aurélia. Assim, ainda noivo dela, começou a encontrar-se com outra jovem... alguém que o pai estava disposto a ver casada oferecendo como dote ao sortudo marido trinta contos de réis. Desta forma, Fernando não teve problema algum em livrar-se da noiva que nada tinha a lhe oferecer trocando-a por uma que, pelo menos, possuía um dote. 

Destroçada pela traição dele, perdendo logo depois a mãe, Aurélia mal poderia imaginar o rumo que sua vida tomaria... 

"O papel continha o testamento em que Lourenço de Sousa Camargo reconhecia e legitimava como seu filho a Pedro Camargo, que fora casado com D. Emília Lemos, declarando que à neta D. Aurélia Camargo, nascida de um legítimo matrimônio, instituía como sua única e universal herdeira."

Da noite para o dia, Aurélia deixou de ser uma jovem pobre para transformar-se numa das pessoas mais ricas de uma sociedade que antes não se atreveria a abrir-lhe as portas. Deixara de ser olhada de lado para ser querida por todos e em nenhum momento ela deixou-se enganar pelos carinhos e amizades fingidos. Desprezava profundamente todas aquelas pessoas hipócritas e os pretendentes que desejavam sua mão ansiando seu dinheiro. Estava disposta a comprar um marido. Mas não um qualquer. Desejava ele. Fernando Seixas, o homem que a rejeitara no passado. 

Conhecendo exatamente o seu preço, Aurélia atrai o homem que um dia amou, disposta a sacrificar o próprio futuro pelo direito que acreditava possuir de vingar-se. Porque não encontraria paz enquanto não o fizesse pagar por ter destruído a sua vida. E no meio de tudo isso... ainda existiria espaço para o amor? Poderia um coração tão ferido permitir-se amar outra vez? Isso só o tempo seria capaz de dizer... 

"[...] Entremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido.
- Vendido! exclamou Seixas ferido dentro d'alma. 
- Vendido, sim: não tem outro nome. Sou rica, muito rica; sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o triplo, toda a minha riqueza por este momento."

- Forte, não é mesmo? Lembro que fiquei de queixo caído ao ler este trecho.rsrs Mas não tive um pingo de pena do Fernando, o suposto mocinho desta história. Tudo o que ele me provocava era desprezo e a única coisa que lamentava era o fato da Aurélia ter desperdiçado a própria vida se casando com alguém como ele, ainda que fosse por vingança. Uma mocinha como ela merecia alguém bem diferente, um homem de verdade, sabe? E não aquele projeto malfeito! 

Assim como tinha trocado a mocinha no passado pelo dinheiro de outra mulher, Fernando não hesitou muito ao vender-se novamente. Ele se fez de ofendido ao receber a proposta do tutor de Aurélia (tudo planejado por ela, é claro), mas não demorou a ceder, mesmo sem saber qual era a mulher com a qual se casaria. Estava bem acostumado a pensar apenas em si mesmo e nos luxos dos quais não queria abrir mão. Desta forma, endividado, prestes a perder a "posição" que possuía naquela sociedade, pensou em todas a vantagens que um casamento por dinheiro lhe traria e aceitou, pedindo ainda um adiantamento como condição para celebrar o "negócio". Não dá para sentir simpatia por esse traste, sinceramente! Nem as mudanças que começaram a operar-se milagrosamente no Fernando, após o casamento e a descoberta do motivo de Aurélia para casar-se com ele, fizeram com que eu pudesse esquecer a maneira como ele se comportou com ela no passado e a forma como ele só pensava em si mesmo. Era um egoísta dos pés à cabeça. Alguém digno de desprezo. Porque não é só Aurélia que ele trai em nome do orgulho e do dinheiro. Durante a leitura quase toda, esse miserável ignora a própria mãe e as irmãs. Me partia o coração a maneira como elas o amavam e se sacrificavam por ele enquanto o desgraçado se envergonhava de tê-las como parte da família. Ele dedicava a elas a "atenção" que daria a um estranho, gente! Ninguém me convence do amor desse traste por elas. Não mesmo! 

"- Minha presença a está incomodando? Porque assim o quer. Não é, mesmo senhora? Não tem o direito de mandar? Ordene, que eu me retiro. 
- Oh! sim, deixe-me! exclamou Aurélia. O senhor me causa horror.
- Devia examinar o objeto que comprava, para não arrepender-se!"

- Confesso que eu me divertia muito com as palavras venenosas que nossa mocinha dedicava ao marido. E o incômodo do Fernando, sua humilhação por ela deixar claro que não o via mais que como um homem comprado e que lhe pertencia como um objeto, não me causava nenhuma compaixão. Na minha opinião, ele merecia. Não foi exatamente o que ele quis? Casar-se por dinheiro? Se era o luxo que ele queria, pois bem o tinha! Não podia reclamar.rsrs Mas o fato da Aurélia lançar essas verdades na cara dele, mostrando que ele não a enganara com seu falso amor, o faziam sentir-se ofendido. Coitadinho dele!rs Gente, eu apreciei muito o "sofrimento" do Fernando. Ele tinha que aprender uma lição e admirei a coragem da Aurélia para dar a ele exatamente o que o verme merecia. Todavia... Foram muitos os momentos nos quais meu coração doeu pela mocinha da história. Porque embora ela lutasse para ser uma pessoa vingativa e fria, na verdade seguia sendo a mesma menina doce e sonhadora do passado que se feria toda vez que atacava o homem que jamais deixou de amar. A vingança de Aurélia doeu mais nela mesma do que nele. E por isso eu cheguei a um ponto em que desejei que ela abrisse mão de tudo aquilo e o perdoasse. Não por ele, mas por ela. Porque ela sim não merecia sofrer. 

- Amei demais este livro, apesar dos floreados insuportáveis do autor. Quando passava a vontade de jogar o livro longe por causa de tanta enrolação descrevendo com exagero ambientes e pessoas e enfeitando tanto até mesmo os diálogos... quando a raiva passava e eu podia me concentrar apenas na história dos protagonistas, me via totalmente envolvida por eles, fascinada com a troca de farpas e louca para saber como conseguiriam salvar aquele casamento fadado ao fracasso desde o princípio. Era tanto ressentimento que existia entre os dois que não parecia muito provável que algo pudesse ser salvo. 

"Se o homem a quem amava, se ajoelhasse a seus pés e lhe suplicasse o perdão, teria ela forças para resistir e salvar a dignidade de seu amor?"

- Eu compreendi bastante a Aurélia, inclusive o seu amor pelo Fernando. Acredito que foi mais esse amor e não a vingança que motivou as ações dela. Nunca pôde libertar-se do que sentia por esse homem, por mais indigno que ele seja do amor dela. Ainda respirava esse sentimento e ao herdar de repente aquela fortuna, penso que ela viu a oportunidade de finalmente tê-lo ao seu lado, mesmo que fosse através do dinheiro. Era triste vê-la tentando chamar a atenção dele, lutando para fazê-lo sentir algo, mostrar algum interesse por ela. Aurélia precisava tanto do Fernando que eu ficava angustiada. Dói pensar que ela poderia ter qualquer homem e que existiam aqueles que realmente a mereciam e mesmo assim ela optou por ele porque o amava. Ah, Aurélia! 

"Às vezes queria esquecer tudo, para só lembrar-se que era marido dessa mulher e que a tinha nos braços."

- Terminei a história sem gostar dessa porcaria de mocinho! Não sei se acredito no amor dele pela Aurélia, sinceramente. Fernando para mim é um covarde egoísta e nada do que ele fez mudou minha maneira de pensar. Nunca lutou pela mocinha. Em nenhum momento. Nem no passado e muito menos no presente. Só lutava por si mesmo e ficava se lamentando por ter seu orgulho ferido, por se sentir humilhado com a vingança dela. Quando foi que ele teve atitude?! Não enxerguei. Enquanto Aurélia era pura força e amor, Fernando era só egoísmo e fraqueza. 

- Eu amei o livro e só não dou 5 estrelas porque não apreciei o final e nem a falta de caráter do mocinho. 

- Esta foi minha quinta leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. O livro preenche o Desafio 6: ler um livro nacional. Faltam 4 livros para eu concluir a maratona, gente! Continuem me desejando sorte, por favor!kkkkkkkkk... 

terça-feira, 25 de julho de 2017

Lançamentos Harlequin - Agosto/2017



Olá, queridos! 

Agosto já está batendo às portas... Que tal nos prepararmos para os maravilhosos lançamentos da Harlequin Books Brasil?! :D 


Livraria...
DESTINO TENTADOR - Nora Roberts

O advogado Caine MacGregor tem a reputação de ser um demônio dentro e fora do tribunal. Impetuoso, raramente se depara com um caso - ou uma mulher - que não possa ganhar. Mas Diana Blade é diferente. Caine anseia por quebrar a fria barreira de autocontrole dela e libertar toda a paixão que existe em seu interior. Ele a convence a formar uma parceria profissional, contudo, será que conseguirá persuadir Diana a arriscar tudo pelo amor de um MacGregor?




SR. G - Sue Hecker
Patrícia é uma mulher independente e bem resolvida que tem uma relação estreita com o Sr. G - uma parte do seu corpo que comanda seus desejos -, porém, essa relação é balançada com a chegada de dois homens: Carlos, um homem de trato simples e de família com segredos não tão bem escondidos e que cativa seu coração e Dom Leon, um sujeito misterioso que manda mensagens para Patrícia, atingindo em cheio ela e o Sr. G.


EU, ELE e SR. G - Sue Hecker 
Dividida entre a emoção e o desejo, Patrícia resolve tirar um tempo para repensar em sua vida e nas questões que deixou em São Paulo. Contudo, a ausência de Carlos se torna torturante e as questões mal resolvidas de sua própria família fazem com que Patrícia retorne mais determinada do que nunca a resolver suas pendências não só com Carlos, mas com Dom Leon e, claro, com o Sr. G.



Banca... 
COLEÇÃO CASA REAL DE NIROLI 001

O PRÍNCIPE HERDEIRO - Penny Jordan 
Marco Fierezza é considerado o príncipe playboy de Niroli. Ele está acostumado a ser obedecido, principalmente pelas mulheres que leva para a cama. Seu atual caso é com Emily Woodford, que não faz ideia de que ele faz parte da realeza. Quando chega a hora de Marco assumir o trono de Niroli, ele sabe que é o momento de escolher uma esposa adequada. mas o que fará quando descobrir que Emily está grávida? 

O PRÍNCIPE PLEBEU - Melanie Milburne 
Alex Hunter é um brilhante cirurgião, que foi convocado a Niroli para avaliar a saúde do rei. Junto com a sua chegada, boatos surgem dizendo que ele é, na verdade, Alessandro Fierezza, o príncipe que foi sequestrado quando bebê e dado como morto. Amelia Vialli sempre vivei com o estigma de vir de uma família de bandidos. Por isso fica surpresa que Alex Hunter se interesse tanto por ela. Mas será que esse relacionamento poderá florescer depois que eles descobrirem que o sumiço de Alex tantos anos antes está ligado à família de Amelia?


UNIÃO DE CONVENIÊNCIA - Michelle Smart
Harlequin Paixão Ardente 021

Votos nunca quebrados... 
A casamenteira Elizabeth Young mal conseguiu acreditar quando Xander Trakas, o último homem que ela queria ver de volta em sua vida, anunciou que o desastroso casamento deles nunca foi anulado! Com a guarda do sobrinho em risco, o que Xander precisa é de uma esposa, e acontece que ele já tem uma! Juntos outra vez, seria muito fácil se entregar ao fogo que ainda ardia entre eles, mas será que Elizabeth está pronta para arriscar o seu coração mais uma vez?


AMOR DEFINITIVO - Cathy Williams
Harlequin Paixão 489

Encontro de uma noite ou falsa noiva? 
De coração partido, Becky Shaw fugiu para Cotswolds no Natal, esperando se aquecer na frente da lareira. Qual não foi sua surpresa ao se ver nos braços do lindo bilionário italiano Theo Rushing. Enquanto uma tempestade de neve se forma lá fora, as coisas começam a esquentar entre eles... O que era para ser só um caso passageiro acaba se tornando um falso noivado quando Theo leva Becky para seu luxuoso mundo na Itália. Tentando proteger seu coração, ela concorda com o "relacionamento" apenas no papel, mas a química entre eles continua crescendo, até atingir um ponto sem volta.


SEGREDOS SEDUTORES 
Harlequin Desejo 257

TEMPESTADE DE PAIXÃO - Maureen Child 
Um cowboy e um bebê surpresa 
Tudo o que o ex-fuzileiro Jake Hunter quer é paz e sossego. Para isso, precisa que sua mãe não o incomode mais. Jake não quer comandar o império da família, e vai assinar qualquer documento que sua mãe deseje para isso. Mas quando Cassidy Moore, assistente pessoal da mãe de jake, chega ao rancho, surge uma atração mútua, que sai de controle durante uma nevasca. Catorze meses depois, Cassie ainda não contou a Jake que eles tiveram um filho. Porém, quando a mãe dele ameaça tomar-lhe o bebê, Cassie corre de volta para Jake em busca de ajuda, capaz de fazer qualquer coisa para ficar com o filho. 

DESEJO COMPARTILHADO - Andrea Laurence 
Ele queria o seu filho... a qualquer custo 
Claire Douglas, recentemente viúva, descobriu que seu falecido marido não é o pai de sua filha. Devido a uma troca de amostras em uma clínica de fertilidade, Luca Moretti se tornou o pai de filha de Claire, mas eles nunca se conheceram. E como chefe de uma família italiana, de jeito nenhum ele vai abandonar sua filha. Luca quer a guarda compartilhada, mas Claire não está disposta a dividir a filha com um completo estranho. Agora, Luca tem trinta dias para convencê-la de que eles podem ser uma verdadeira família.


RECOMPENSAS E DESAFIOS
Harlequin Jessica 284

HERDEIRO DA VINGANÇA - Maisey Yates 
O valor da inocência! 
O pai de Charity Wyatt roubou o poderoso empresário Rocco Amari, e deixou a filha para arcar com a punição. O preço: uma noite de prazer. Mas Charity não esperava ficar grávida depois desse encontro com Rocco. E para garantir que o seu filho tenha uma infância melhor do que a sua, Charity pede que Rocco a ajude financeiramente. O que ela não contava era que ele tivesse outros planos: Rocco a quer como sua esposa. 

UMA MENTIRA CONVENIENTE - Melanie Milburne 
A desculpa perfeita... 
Violet Drummond não passaria mais uma festa de Natal da empresa solteira. E parece que Cameron McKinnon, um amigo carismático, seria o acompanhante platônico perfeito. Ele tem outros planos para Violet, é claro. Pretende usar a farsa que ela inventou como forma de se livrar do interesse inconveniente da esposa de um cliente. Nenhum deles esperava que os sentimentos fingidos virassem uma atração muito real... Agora, Cameron está disposto a passar dos limites do seu acordo para acomodar o crescente desejo por Violet.


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segunda-feira, 24 de julho de 2017

A Herdeira - Sidney Sheldon

(Título Original: Bloodline
Tradutor: Pinheiro de Lemos
Editora: Rio Gráfica
Edição de: 1985)

Um império econômico.
Uma regra inflexível.
Um maníaco sexual.
Uma vida ameaçada.
Um assassino à solta. 

Nesta empolgando trama que reúne ambição e suspense, dinheiro e sexo - tratados com o realismo e o excepcional talento de Sidney Sheldon -, uma próspera empresa multinacional é vítima de estranhos atos de sabotagem, visando a linda e inteligente herdeira Elizabeth Roffe. Mas logo entra em cena um homem fora do comum. Ele começa suas investigações, desperta Elizabeth para a realidade e descobre os segredos ocultos debaixo do poder daquela família.



Palavras de uma leitora... 


- Já posso respirar normalmente? Foram tantas as reviravoltas desta história que ainda me sinto sem fôlego. Não tive um instante de sossego durante esta leitura!kkkkkkk... Não conseguia evitar a ansiedade, temendo sempre o próximo movimento... o que ainda iria acontecer. Virava uma página e jurava que depois daquele capítulo pararia um pouco, mas era totalmente impossível. Só larguei o livro quando a história terminou.rs E que final! 

"Tudo se tornara um jogo terrível, em que ninguém podia confiar em ninguém."

O primeiro erro de Elizabeth tinha sido nascer menina. Seu pai ansiava pela chegada de um filho, alguém que seria preparado para substituí-lo na presidência da famosa empresa farmacêutica da família, um conglomerado que controlava boa parte do mundo. Uma filha era um grande inconveniente, uma decepção e, com o passar dos anos, seu pai deixa mais do que claro o quanto ela não servia para nada. 

Sentindo-se rejeitada desde que se entendia por gente, Elizabeth tornou-se mais e mais tímida conforme crescia, não tendo amigas e sendo desprezada por professores que não a entendiam e a julgavam mimada e egoísta. Era uma criança triste e isolada, mas tudo começa a mudar quando ela encontra um livro numa das propriedades de sua família. Não um livro qualquer, mas aquele que contava a história de seus antepassados... dos fundadores da Roffe & Filhos. 

Motivada pela história de Samuel e a maneira como ambos se pareciam, Elizabeth começa a florescer e busca aprender cada vez mais. Inteligente, dona de uma beleza espetacular, aos vinte e quatro anos, podia não saber bem ainda o que queria da vida, mas era capaz de encarar os desafios que se apresentassem... mesmo que não acreditasse nisso. E nada a põe à prova de forma mais brutal do que a morte de seu pai, num terrível e misterioso acidente. 

Transtornada pela dor, ela não consegue entender como um esportista tão experiente como ele poderia morrer daquela maneira. E quando o testamento de seu pai a revela como herdeira universal e presidente da empresa, a pressão que os integrantes da diretoria exercem para que ela coloque as ações à venda a fazem pensar se de fato Sam morrera num acidente ou se havia sido assassinado. Afinal de contas, ele era o único obstáculo entre os sócios e a tão sonhada abertura da empresa ao público. Até onde eles estariam dispostos a ir para conseguir o que desejavam? 

Quando, por milagre, Elizabeth escapa duas vezes da morte, é necessário correr contra o tempo para descobrir quem é o assassino... antes que seja tarde demais. 

"Pairava na sala uma maldição, mas ela não podia dizer de quem partia. Sabia apenas que uma das pessoas presentes a odiava. Era uma convicção profunda, ainda que a sua volta só visse sorriso e rostos amigos."

- Pense num livro que me deixou fascinada! Sim, vários livros me deixaram assim.rsrs Mas A Herdeira é o mais recente. Fui à loucura com esta história! Esquecendo de comer, de dormir, de pensar em qualquer outra coisa que não fosse o que se passava no livro. Não conseguia largá-lo de jeito nenhum! Eu queria saber quem era o assassino, ficava ansiosa temendo que a protagonista acabasse morta e estava desesperada para saber como tudo terminaria. Me senti numa montanha-russa a leitura inteira. 

Quando a história começa, já sabemos que Sam não morreu num simples acidente. Isso é bem óbvio para qualquer pessoa. É claro que ele tinha sido assassinado. O motivo também fica evidente, pois ele detinha o controle da empresa e recusava-se a permitir a venda das ações da família. Desde que um jovem sonhador chamado Samuel, um de seus antepassados, a criara, aquela era uma empresa familiar e permaneceria assim. Acontece que muitas pessoas não concordavam com aquele pensamento tão inflexível e ultrapassado. Os tempos eram outros e todos os integrantes da família, exceto Sam, desejavam a venda. Desta forma, todos eles tinham motivos para matar. Porque se Sam saísse do caminho, eles teriam exatamente o que queriam... ou não? 

Quem quer que fosse o assassino, acreditou que no momento que Elizabeth herdasse os bens do pai, seria fácil, fácil manipulá-la e tirá-la do jogo. Era uma jovenzinha de apenas vinte e quatro anos, que nada entendia de negócios. Não iria querer se envolver naquele mundo e assim deixaria tudo nas mãos dos parentes. Ledo engano. Levada por um pressentimento muito forte, Elizabeth recusa-se a entregar a empresa nas mãos de seus primos e, desta forma, coloca-se na mira do assassino. Porque ele iria matar até que já não existissem obstáculos em seu caminho. 

"Oito... nove... dez...
Elizabeth começou a descer correndo a escada, para salvar a vida."

- É claro que desconfiei de tudo e todos ao longo da leitura. Já sou naturalmente desconfiada quando leio este tipo de leitura, pois é a maneira de tentar descobrir o assassino sempre. Dando por certo, desde o princípio, que todos são potenciais vilões, que nenhum deles é digno de confiança. Mas neste livro o SS faz questão de lançar a suspeita para cima de quase todos os personagens!kkkkkkk... Como naqueles livros da Agatha Christie, sabe? Todos os integrantes da família tinham mais de um motivo para querer matar. Uns estavam sendo chantageados, precisando urgentemente de uma quantia de dinheiro que só teriam quando vendessem suas ações, outros desejavam o poder que Sam tinha, um queria escapar de uma vida miserável... e existia ainda alguém que não fazia parte da família, mas poderia ganhar muito com a poder do pai de Elizabeth. Eram muitos os suspeitos. Algo que deixou a leitura ainda mais eletrizante. 

Imaginem o trabalho que isso me deu para tentar adivinhar o culpado (ou os culpados, claro!)! Quanto mais eu conhecia os parentes da protagonista mais difícil era reduzir a lista de suspeitos. Quando cheguei à metade da história, ainda tinha na minha lista três personagens fortíssimos para aqueles crimes. E mesmo assim ainda desejava pegar de volta os personagens que tinha descartado como suspeitos.kkkkkkk... Demorei muito para reduzir a lista a dois possíveis culpados. No fim, era quem eu menos desejava que fosse, embora ele tivesse ficado na minha lista até o final. Mas sério, gente! Existia alguém tão melhor para ser o culpado!rs 

"O cérebro estava confuso. Era como se todos os circuitos dentro dela se tivessem fechado, numa preparação para a escuridão da morte."

Para aumentar o suspense do livro, existem ainda outros crimes sem solução e, aparentemente, sem qualquer relação com o assassinato do pai de Elizabeth. Um maníaco sexual, que já assassinara diversas jovens, estava à solta, protagonizando um jogo macabro. Ele atraía mulheres para serem atrizes de filmes pornográficos e durante as gravações as assassinava... de uma maneira que nos dá arrepios. Quem era o misterioso e doentio assassino? E por que ele estava matando? 

Essa foi fácilkkkkkk... Só tinha dois suspeitos, gente! Somente dois personagens se encaixavam no perfil do assassino, sobretudo quando é óbvia a sua motivação. Descartei um porque o julguei sem a "coragem" necessária e assim só me restou um. :) Mesmo assim ainda fiquei chocada.

Uma personagem que não me enganou durante muito tempo foi a Anna Roffe. No início, senti imensa pena dela. Mas em seguida pensei em sua infância... e outras coisas mais e percebi o que estava acontecendo ali. Achei completamente incrível o que o SS criou! Se não tivesse "acordado" e prestado atenção em certos detalhes, a Anna teria me enganado direitinho! E eu ficaria furiosa depois!rsrs Mas estou tão acostumada com algumas histórias que torna-se mais fácil juntar as peças do quebra-cabeças. 

- Foi impossível não amar este livro! Simplesmente me apaixonei pela história! E é claro que a recomendo! MUITO!!!


- Esta foi minha quarta leitura para a Maratona Literária de Inverno 2017. O livro preenche o Desafio 5: ler um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata. Eu já tinha lido a sinopse vários anos atrás, mas como não lembrava o que ela dizia, iniciei a leitura no escuro, sem reler a sinopse e, consequentemente, sem saber do que se tratava.