O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!

O AMOR VERDADEIRO JAMAIS MORRE!
O coração de uma mulher é um oceano de segredos

domingo, 13 de maio de 2018

Sol em Júpiter - Lola Salgado

(Editora: Harlequin
Edição de: abril/2018)


Sol Leão tem uma vida invejável.

Bonita e autoconfiante, ela mora em um apartamento de frente para a praia e seu canal no Youtube, Delírios de Juba, acabou de atingir a marca de 6 milhões de inscritos. Para completar, acaba de ser pedida em casamento pelo homem dos seus sonhos. Mas será que seus dias são tão perfeitos quanto parecem ser nos vídeos e nas fotos do Instagram?

Em um momento catastrófico, Sol conhece Júpiter, um rapaz de sorriso fácil e olhos incrivelmente azuis. Com o coração balançado, ela começa a questionar a vida que tem levado até agora e a imagem que se sente obrigada a manter para seus fãs. Quando, durante uma transmissão ao vivo para milhares de pessoas, Sol faz uma terrível descoberta, ela vê a muralha que tinha construído ao seu redor desmoronar e é obrigada a encarar medos e inseguranças do passado. Ainda bem que Júpiter está ali, com suas covinhas irresistíveis, para ajudá-la a encontrar forças dentro de si e dar a volta por cima, mostrando que a vida pode, sim, ser leve, mesmo quando o universo parece querer provar o contrário. 



Palavras de uma leitora...


Sol, mais conhecida como Juba por conta do seu canal, é uma youtuber de 23 anos que está no auge de sua carreira. Nada na sua vida poderia ser mais perfeito, até porque ficou noiva e atingiu a marca de 6 milhões de seguidores quase simultaneamente. Era para estar se sentindo no paraíso e realmente se sentia feliz, mas... faltava alguma coisa. Talvez a verdade. 

Ela criou seu canal num dos momentos mais traumáticos de sua vida, quando sentia que precisava desabafar e ser ouvida por alguém. Não tinha a intenção de ser famosa... só precisava falar. Havia passado muito tempo guardando apenas para si mesma o que sentia, enquanto era vítima de bullying na escola por ser gordinha, por ter os cabelos cheios e por todos os outros motivos que seus colegas inventassem. A perseguição era tanta ao ponto de utilizarem um dos seus maiores medos contra ela. Foram muitos anos aceitando uma vida assim. Estava mais do que na hora de reverter as coisas ao seu favor. Foi então que, pela primeira vez, ela gravou um vídeo... e depois outro... e não parou mais. Os seguidores não vieram aos montes logo no início, mas num momento aconteceu e então ela explodiu na internet. E o que era para ser libertador tornou-se uma prisão, pois mais uma vez deixou de ser ela mesma para ser o que as pessoas queriam; dessa vez essas pessoas eram seus seguidores. 

Embora fosse um exemplo para milhões de mulheres, que passaram a se aceitar como eram por conta do seu canal, Sol passou a viver uma grande farsa. Porque usava o que não gostava para manter a imagem que construiu, postava fotos de momentos que jamais viveu e ainda por cima pintava um relacionamento perfeito ao lado do noivo que na verdade estava bem longe de ser maravilhoso. O que era verdadeiro em sua vida? 

Foi num dia particularmente estressante, em que tudo parecia dar errado, que ela o conheceu. Por mais constrangedor que tenha sido o primeiro encontro, Sol não conseguiu tirá-lo de sua cabeça. Por uma ironia do destino, seus caminhos se cruzam outras vezes... dando a ela a chance de viver algo real. 

Júpiter não fazia parte do seu mundo. Eram de muitas formas diferentes, mas quando estava com ele... podia ser ela mesma. Vestir o que quisesse, dizer o que realmente pensava, desabafar sobre seu passado, seus sonhos... até mesmo sofrer uma crise de pânico sem temer que a considerassem uma maluca. Ele estaria ao seu lado. A apoiaria em qualquer momento. Com ele tudo era tão simples... Mas ela estava noiva de outro homem. E milhões de pessoas esperavam que se casassem. Será que ela conseguiria fazer o que desejava pelo menos uma vez? Ou cederia ao que os outros queriam para sua vida? 

"Todas as fotos que vinha postando ultimamente eram apenas simulações de dias que nunca vivi."

- Quando iniciei esta leitura pretendia ler algo leve, sobretudo depois de um livro pesado como O Caçador de Pipas. Queria relaxar, me divertir ao lado de um romance bem levinho mesmo. E o livro cumpre bem esse papel. Passei momentos agradáveis ao lado dele e como não tinha criado fortes expectativas não me decepcionei de modo algum. E de brinde ainda pude me apaixonar pelo Júpiter. :)

O que eu não esperava era considerar a protagonista tão superficial. Tinha uma ideia diferente dela e ela foi o completo oposto do que imaginei. Não porque vivesse uma mentira na internet, mas porque não consegui enxergar profundidade nela. E eu não sou a maior fã de personagens "assim", cujo interior é inacessível para quem lê. Ela falava de seus sentimentos, mas é tão difícil acreditar em alguém que não te mostra nada além. E para falar a verdade terminei a leitura sem sequer acreditar que ela realmente amava o Júpiter. Foi impossível e lamento bastante, pois se tinha um personagem que merecia ser amado de uma forma intensa e apaixonante era o Júpiter. Porque ele é o que me faz lembrar do livro com um sorriso, ele sim me permitia enxergar tudo o que ia em seu interior... tantos sentimentos, tantos sonhos e o amor que foi surgindo e crescendo pela Sol. Embora a história tenha se focado na Sol, embora ela fosse o centro de tudo, era quando o Júpiter aparecia que eu devorava as páginas, querendo mais e mais dele, de seu passado, presente e planos para o futuro. Cada conquista dele me fazia querer gritar e abraçá-lo. Ele merecia tanto ser feliz. Merecia mesmo. Por isso não sei se a Sol era realmente a mulher certa para ele. Pronto, falei.kkkkkkk... Me matem, mas infelizmente é o que penso. 

"Não precisei fingir gostar de saltos, nem estar impecável. Não precisei usar a máscara que sempre colocava quando gravava vídeos para o Youtube. Era apenas eu e nada mais."

Eu tentei muito compreender a Sol. Mas ela nem mesmo conseguia fazer uma só escolha por si mesma, era tão dependente do que os outros iam pensar ou deixar de pensar que tudo o que chegou a me provocar foi uma leve compaixão. Porque ela tinha consciência da farsa que era sua vida e não tinha a menor intenção de mudar isso, uma vez que mais seguidores eram sempre bem-vindos e além disso precisava manter os conquistados. Tinha sempre que alimentá-los com fotos de momentos que não existiram, dizer o que queriam escutar, viver o que queriam que ela vivesse e até mesmo se casar com quem eles aprovavam. Ninguém a obrigava a nada. Ela vivia daquela maneira por escolha, pois quando as pessoas começaram a segui-la foi por sua verdade. Foi por causa de seus desabafos, por pretender aceitar a si mesma como era e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Muita gente tinha aprendido a se amar por causa dela e o mínimo que poderia fazer era manter isso, mas aí ela construiu uma imagem e tornou-se prisioneira disso. No final das contas, trocou uma prisão por outra. E por mais que não estivesse satisfeita com a maneira como estava vivendo queria que o número de seguidores aumentasse. Então, para ela valia a pena. 

- Outro ponto que preciso comentar antes de falar do meu Júpiter (sim, já o considero MEU e não divido!rsrs) é a amizade entre a Sol e a Clarice. Ou melhor, o quanto ela tenta nos mostrar que são melhores amigas. Tenta mesmo. E acredito que eram sim, mas não duas amigas adultas.rsrs Deus do céu! Seria impossível eu não mencionar isso, pois chegava a parar a leitura não acreditando no que estava lendo. Eram diálogos de adolescentes de quatorze anos. Sério, quando elas estavam juntas pareciam meninas bem jovens conversando e trocando brincadeiras. Eu até me senti de volta a minha adolescência, quando tinha meus doze, treze anos. Sol tem 23 anos. Eu rezava para que elas aparecessem juntas o menor número de vezes possível. Porque de tanto querer mostrar que eram tão amigas o relacionamento das duas acabou parecendo, na minha opinião, infantil. Não pude ignorar isso. 

Só mais uma coisinha e juro que falarei só do Júpiter depois: desnecessária a quantidade de vezes que a Sol se referiu ao membro sexual do mocinho. Na primeira vez, ela usa duas palavras "sinônimas" na mesma página. Até aí, ok. Só que na reta final do livro, numa mesma página ela utiliza uma palavra para se referir a "ele" umas quatro ou cinco vezes. Não estou brincando. É numa mesma página! Desnecessário, na minha opinião. A gente já tinha entendido o que ela quis dizer na primeira vez, não precisava repetir outras quatro.rsrs

Vamos ao Júpiter agora?! :D

"A cada recordação boa eu era tomado por um desespero terrível. Um sentimento de urgência trazido pela ideia de que tudo era efêmero. Até mesmo nós.
Principalmente nós."

Após perder o pai de maneira trágica aos 16 anos de idade, o mundo dele se transformou por completo. De repente, deixou de ser um adolescente comum, como outro qualquer, e passou a assumir o lugar deixado por aquele que durante quase toda sua vida havia sido seu herói. Como se não bastasse a decepção intensa causada pela traição do homem que era o seu exemplo, teve que lidar com a bagunça que ele deixou. Toda sua família estava destroçada e se ele não fizesse alguma coisa logo desmoronaria de vez. Assim, não teve outra alternativa senão abandonar os estudos e ir atrás de alguém que estivesse disposto a contratar um garoto que precisava sustentar sua família. 

Anos depois, ao olhar para trás, poderia sentir-se orgulhoso de tudo o que havia feito por aqueles que amava. E embora tenha precisado fazer supletivo para concluir os estudos e trabalhar loucamente todos os dias, tudo tinha valido a pena. Porque não abandonara sua família. Enquanto eles estivessem juntos tudo ficaria bem. E na vida não se deve lamentar pelo que deixamos de fazer ou os sonhos dos quaisabrimos mão. É preciso seguir em frente e fazer cada momento ser único. 

Não que não sentisse falta do garoto despreocupado que tinha sido... do sonho de cursar a universidade... Mas entre lamentar e correr atrás preferia a segunda opção. 

- Foram pouquíssimas as vezes que a autora deu ao Júpiter a oportunidade de falar em primeira pessoa. A narrativa do livro quase toda é feita pela Sol, já que a história gira em torno dela. Mas cada vez que ele tinha a chance de nos mostrar mais de si, de sua vida, era incrível. Eu queria que o livro fosse inteirinho narrado pelo Júpiter porque aí sim eu amaria. Ele era a parte que me encantava. Seu relacionamento com os irmãos (embora não tenhamos a oportunidade de acompanhar mais momentos deles juntos), sua garra, a maneira simples como ele dizia o que pensava ou sentia e impressionava a Sol, pois era bem diferente dela. E o seu amor por ela. É engraçado isso. Temos bastante da mocinha o livro todo. E o Júpiter que não aparecia tanto quanto ela e nem tinha tanto protagonismo era o personagem que mais me passava verdade. Não é irônico isso? No amor dele eu acreditei. Antes mesmo que ele percebesse que o que estava começando a sentir era amor a gente já era capaz de enxergar isso, pela maneira linda como a tratava. 

"Todos tínhamos nossas cruzes. Eram diferentes, é claro, mas machucavam da mesma maneira."

Não tinha como eu não me apaixonar por ele. E só desejei que a autora tivesse lhe dado um maior destaque. Ela poderia te equilibrado as coisas, em vez de deixar a Sol tão em evidência. Tinha como os dois personagens terem o mesmo espaço. 

No fim, fiquei na dúvida se a Sol era ou não o ideal para alguém como o Júpiter. Ela era superfície e ele era profundidade, entende? Sei que os opostos se atraem e tudo o mais. Só que... sinto que há um desequilíbrio. Como se ele sempre fosse amá-la mais do que ela será capaz de amá-lo algum dia. Ele vai sempre dar mais de si. Vai ser sempre a força que ela precisa. Com certeza, ela é sortuda.kkkkkkk... Mas... e ele? O justo é que receba na mesma medida que dá. Que também possa estar vulnerável e saber que ela estará lá para ele. Que será seu apoio. Eu não sinto isso na Sol. Por esse motivo, creio que ele merecia alguém diferente. 

- Não odiei esta história. Como podem ver só por ter conhecido o Júpiter já valeu muito a pena. Eu não abriria mão de conhecer esse personagem que me conquistou. Mas com a Sol tive muitos problemas. Não a detestei nem nada. Só que... ela nunca me permitiu ver mais do que uma menina infantil em vários momentos, que vivia como os outros queriam e era, de muitas maneiras, superficial. 

"Esqueci de viver porque fiquei muito ocupada atuando. Fingindo ser alguém de quem nem ao menos consigo gostar."

- O trecho acima me faria simpatizar com a protagonista se ela não tivesse recebido de bandeja a oportunidade que precisava para fazer o que queria. Como explicar sem soltar spoiler? Bem... Basta eu dizer que não foi uma atitude que ela tomou. Simplesmente alguém facilitou as coisas para ela e não foi necessário arriscar para ter o que queria. Assim sendo, ela seguiu sem decidir nada por conta própria. Não precisou escolher. Mesmo que fosse algo tão importante. 

Só vou repetir para que não haja dúvidas: meu problema com a Sol não foi o fato de ela viver uma farsa, atuar, ser o que os outros queriam. Porque, na verdade, todos nós num momento, em outro, ou em todos, fazemos isso. Quantas vezes não mostramos para alguém exatamente o que a outra pessoa espera da gente? Quantas vezes construímos uma imagem e fingimos ser como não somos só para não decepcionarmos nossa família, amigos, companheiro? Até mesmo somos capazes de optar por uma profissão que não amamos só para agradar nossos pais. Todos nós já fizemos algo semelhante em algum momento de nossa vida. Eu não teria problemas com a personagem só por causa disso. A questão é que ela queria alimentar uma imagem e sofrer na prisão estúpida na qual se colocou porque necessitava de números. Precisava disso pra viver e nada era mais importante que isso. E além disso temos o principal: a personagem não me permitiu ver nada além do que era mostrado na superfície. Então, não deu. Lamento muito, mas foi impossível compreendê-la.

- Recomendo a história?! Bem... o Júpiter FAZ PARTE DESTE LIVRO!!!!!!! E nunca me esquecerei do livro por causa dele. Os demais personagens são esquecíveis. A Vênus nem tanto, na verdade. É outra personagem que merecia mais destaque. Se a Lola resolver escrever um livro sobre ela lerei com certeza! Para quem não sabe, a Vênus é irmã do Júpiter. :)

Dei ao livro 3 estrelas no Skoob. 

Bem.. É isso, meus queridos. Este livro foi recebido em parceria com a editora Harlequin. E além da leitura ter valido a pena por causa do Júpiter existe também a questão de ajudar na minha meta de ler mais nacionais em 2018. 

O próximo nacional que lerei será Pertinácia, de uma autora muito fofa. Nunca tive a oportunidade de ler nada dela, será a primeira vez e estou cheia de expectativas, confesso. A Sue Hecker é um amor de pessoa e espero com todo o meu coração amar o livro dela. Estou torcendo imenso por isso. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Lançamentos Harlequin - Maio/2018 (e comunicado sobre livros de banca)




Olá, meus queridos!

É hora de saber quais são os lançamentos do mês da editora Harlequin Books Brasil. Tem Nora Roberts com duas histórias de época e tem... Sue Hecker, com a continuação da série Mosaico!!! Sei que a autora é muito querida pelos fãs e pude comprovar ontem, através de live no Instagram dela, o quanto a Sue é gentil e carinhosa. E isso é um ponto a favor sempre! Agora estou ainda mais ansiosa para ler seus livros! :D




PERTINÁCIA - Sue Hecker
Série Mosaico

A vida de Rafaela nunca foi fácil. Da infância passada em um orfanato à mudança para São Paulo, ela sempre teve que superar diversos obstáculos que surgiam em seu caminho. Quando tudo parecia entrar nos trilhos e a jovem enfermeira pensava ter encontrado o amor, um erro lhe tirou tudo, e ela não sabe como recomeçar. 

É exatamente em seu momento mais frágil que Rafaela conhece Jonas, um advogado confiante, sexy e vaidoso, que parece determinado a seduzi-la. Mas, depois de uma grande desilusão, Rafaela não quer ceder à atração que sente por Jonas e correr o risco de se machucar de novo. Será que essa jovem inocente e pertinaz conseguirá resistir aos encantos de um homem experiente? 

Pertinácia é uma história sobre conquista: de confiança, de objetivos e, especialmente, de amor.


Comentários: A história promete tanto! Tem uma enfermeira como protagonista e o livro diz que é uma história sobre conquistas, inclusive de objetivos, então, minhas expectativas estão em alta, pois estou esperando que o livro seja mais que romance. :)


REBELDE/UM MUNDO NOVO - Nora Roberts
Série Os MacGregor - Livro 6

AS MULHERES MACGREGOR SÃO CONHECIDAS PELO TEMPERAMENTO EXPLOSIVO E POR SEREM DESTEMIDAS, TEIMOSAS E LINDAS! MAS ELAS TAMBÉM SÃO APAIXONADAS E LUTARÃO ATÉ O FIM POR SUA FAMÍLIA E PELOS HOMENS QUE AMAM. 

No século XVIII, uma época em que combates sangrentos eram travados em nome da honra, as mulheres MacGregor passaram por muitas dificuldades para defender sua família. Em meio a tudo isso, duas integrantes do clã se destacam. Serena MacGregor acaba se envolvendo com um suposto inimigo, o inglês Brigham Langston. Encontrar dentro de si o que será necessário para viver esse amor exigirá muita coragem... mas isso é algo que Serena tem de sobra. 

Anos depois, o jovem soldado Ian MacGregor se vê à beira da morte e acaba encontrando Alanna Flynn, que além de salvar sua vida o ensinará que, às vezes, as maiores batalhas que enfrentamos são aquelas que ocorrem em nossos corações. 

Em Rebelde e Um mundo novo, Nora Roberts nos encanta com o passado da família MacGregor, mostrando que, independentemente dos lados no campo de batalha, quando se trata de amor ele sempre vencerá.


Comentários: Eu estava tão ansiosa por este livro!!! Sou apaixonada pelo clã MacGregor e ler livros históricos da série será uma experiência nova e incrível. Todos os outros livros que li sobre este clã eram contemporâneos. Será maravilhoso viajar para o passado da família, para suas origens. Vamos que vamos para o século XVIII! 


COMUNICADO

LUNA, e os livros de BANCA?????!!! Bem... Quem segue as redes sociais da editora Harlequin já deve estar sabendo da triste notícia: os livros de banca não serão mais disponibilizados fisicamente. Apenas em formato digital, em ebook. Sabemos bem que é só um paliativo, que isso significa o fim dos romances de banca publicados pela editora. E podem imaginar o quanto essa notícia me deixou arrasada. :( Arrasada ainda é eufemismo! Eu sou uma leitora de banca, sempre fui e sempre serei. Tenho orgulho de dizer que comecei por eles e que tais livros me formaram como leitora. Tenho muitos e muitos aqui em casa e me fazem recordar tantos momentos especiais... Vê-los perder espaço nas bancas e na vida dos leitores parte meu coração. Em vários pedacinhos mesmo

Existe o lado bom de saber que muitas das nossas amadas autoras de banca serão publicadas no formato livraria. Sabe a Sarah Morgan, autora do belíssimo Amor em Manhattan? Ela é uma autora de banca. Nora Roberts, tão aclamada por milhões de fãs no mundo todo? Também é. Suzanne Enoch, autora de Como se Vingar de um Cretino e tantos outros sucessos? Idem. E não para por aí... Muitas autoras que alguns de vocês só estão conhecendo no formato livraria foram por muito tempo autoras que apaixonavam nós que íamos até as bancas correndo atrás de seus livros, quando as editoras do Brasil nem sonhavam em publicar suas histórias nas livrarias do país. Me orgulha imenso vê-las serem tão amadas pelos leitores e saber que elas vieram das bancas. E não posso esquecer de mencionar uma outra autora que poucos sabem que era de banca: Julia Quinn!!! Sim, nossa diva! Seja nas livrarias ou nas bancas, ela arrasa! 

O lado ruim???? Existe sim um lado ruim. E é o que me deixa destroçada. Tremendo de tristeza e revolta. Literalmente. O que acontecerá com as autoras que não forem publicadas no formato de livraria?! É essa pergunta que me deixa em pânico. Porque imagino a resposta: vão sumir. Vamos encontrá-las apenas nos sebos, nas antigas edições de banca. Porque dá para imaginar que as publicações apenas em ebook não irão durar, é o princípio do fim de tais livros. E não vou conseguir aceitar isso. Meu coração não aceita. E sim, já estou chorando. Se já choro por tudo quando fico tão triste, então...

Quero estar errada. Quero acreditar que no formato digital meus amados livros de banca continuarão sobrevivendo, que todas as minhas autoras queridas e que não tiverem a sorte de ir para as livrarias, seguirão sendo publicadas, mesmo que em e-book. Mas sinto que não será assim por muito tempo. :(

Bem... Eu precisava dividir com vocês essa notícia tão triste e os sentimentos que provocou em mim. 

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Tudo que assisti e li - abril/2018

Google Imagens



Olá, meus queridos!

Será que a metade de um filme conta? Sim, cheguei a esse ponto.kkkkkkkkk... Em abril sequer consegui assistir um filme por completo, apenas metade dele.

Sem Prada nem Nada estava passando na TV e minha irmã estava assistindo. O filme já havia começado há vários minutos e como eu bem sabia que se deixasse para outra hora não conseguiria ver, resolvi sentar e acompanhar de onde estava. Claro que não entendi tudo que estava acontecendo, mas deu para dar boas risadas e me apaixonar pelo relacionamento da irmã ajuizada com seu chefe que se tornou ex-chefe. :D 

Trata-se de uma comédia romântica sobre duas irmãs. Uma é ajuizada, estudante de Direito, que nunca cozinhou nem sequer um ovo, pois não tinha precisado. E ela diz isso de uma maneira tão real que a gente a compreende fácil. A situação dela era outra. Todavia, quando a vida dá umas voltas terríveis e ela acaba precisando, encara numa boa os desafios e se propõe a aprender. A outra irmã é uma completa desmiolada e cheia de frescuras.rsrs Lavar um copo?! De jeito nenhum! Só queria saber de compras e festas, as vinte quatro horas do dia deveriam ser só diversão. Ocorre que as duas (eu não sei o motivo, pois o filme já tinha começado há séculos, como eu disse) acabam perdendo tudo o que tinham. Após desentendimentos com a nova dona da casa que tinha pertencido ao pai delas, elas resolvem ir embora e morar com uma tia. 

Só que essa tia pertencia ao lado mexicano da família e era pobre, o que faz com que as duas mergulhassem num estilo de vida totalmente diferente. O filme tem a intenção de ser leve e divertido e cumpre bem o papel. Eu gostei imenso da história entre a certinha com o chefe (que por sinal era filho da cobra que se apropriou da ex-casa delas). Eles formavam um casal tão fofo! Torci muito pelos dois! Já a outra irmã... Que garota tonta! Deus do céu! O final dela não me convenceu. Sei lá. Foi apressado demais, não dava para acreditar em seus sentimentos. 



Livros lidos


Em abril li ainda menos que no mês anterior: foram apenas 4 livros. Considerando que a meta é, pelo menos, 2 por mês não foi tão ruim assim.rs

O Despertar do Lírio tirou o gosto amargo deixado pelo primeiro livro da série. Simplesmente amei a Lilian e o Simon! Foi uma leitura deliciosa, bem diferente da experiência anterior. O Retrato de Dorian Gray mexeu bastante com o meu psicológico. Fiquei bem perturbada, ansiando pelo momento que encerraria a história e poderia me ver livre de toda essa sordidez. Mesmo assim, é um livro que vale muito a pena. O protagonista é um verme, mas a história é incrível. 

Ao ler O Despertar do Lírio eu cumpri o Desafio Mensal e o Desafio Literatura Nacional. Com O Retrato de Dorian Gray o Desafio Mensal



Estas foram as cortesias que recebi da editora Harlequin Books Brasil. Deveriam ter chegado em março, mas os Correios causaram grandes transtornos e isso ocasionou o atraso na leitura. Foi por causa desse episódio que assinei uma Caixa Postal, para não matar os Correios.rsrs Como se Vingar de um Cretino é uma leitura divertida e romântica, que nos proporciona ótimos momentos. É impossível não nos apaixonarmos por esses dois. Hoje e Sempre, da minha querida Nora Roberts (que eu conheci graças a essa série), foi mais que uma delícia, pois neste livro finalmente conhecemos profundamente o Daniel, quem eu amava desde o primeiro da série. Amo!!!

Melhor livro do mês: O Despertar do Lírio
Pior livro do mês: Não teve. 

Todos os livros mencionados já têm resenhas no blog. Clique aqui para lê-las. 

domingo, 6 de maio de 2018

O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini

(Título Original: The Kite Runner
Tradutora: Maria Helena Rouanet
Editora: Nova Fronteira
Edição de: 2005)


O caçador de pipas é uma narrativa insólita e eloquente sobre a frágil relação entre pais e filhos, entre os seres humanos e seus deuses, entre os homens e sua pátria. Uma história de amizade e traição, que nos leva dos últimos dias da monarquia do Afeganistão às atrocidades de hoje. 



Palavras de uma leitora... 



- Esta edição do livro não vem com sinopse na contracapa. Então eu peguei apenas um trechinho do resumo que tem nas "orelhas" dele e coloquei acima. Só para terem uma ideia significativa do que é esta história. Acreditem: o trecho acima diz muito. É a essência do que você vai encontrar ao mergulhar nessas páginas... Esteja preparado, pois é uma viagem muito turbulenta e que deixará marcas impossíveis de apagar. Cicatrizes que duram toda uma vida. Parece que as minhas ainda sangram. 

Sabe aquela história que você tem há anos parada na sua estante não porque não teve tempo de ler, mas por puro e completo medo? Sempre fugi deste livro. Ganhei em 2011 e desde o começo me sentia tensa quando me aproximava dele. Até mesmo quando ia limpar a estante. Pensei em me desfazer dele várias vezes, confesso. Não sabia exatamente spoilers da história, mas tinha lido resenhas que me provocaram pavor. Que me indicavam que não era um livro para ler e esquecer, seguir com a vida normalmente depois. E o fato de eu ter uma noção do que era o Afeganistão quando ganhei o livro também contribuiu para isso. Quem nunca leu nada ou assistiu uma reportagem sobre esse país e o inferno na Terra que as pessoas suportavam? 

Ele entrou para minha lista de leituras do ano por causa do desafio 12 Meses Literários. Era para ser minha leitura de abril, mas o medo acabou falando mais alto outra vez e só o encarei no final do dia 29, quando não dava mais tempo de terminá-lo a tempo já que são mais de 360 páginas de história. 

- Incrível que tenha se tornado um dos melhores livros que li. Uma história que merecia ganhar uma centena de prêmios por toda a riqueza, por todo o talento do autor... pela maneira como me fez entrar no livro e acompanhar de perto a vida dos personagens... Amir, meu querido Hassan (meu coração ainda dói tanto por ele), baba, Sohrab, Ali. Mesmo se eu vivesse outras vidas não seria capaz de esquecê-los. 

"Pensei na vida que eu levava até que aquele inverno de 1975 chegou para mudar tudo. E fez de mim o que sou hoje."

Tudo começou num inverno, em 1964, quando Hassan nasceu, cerca de um ano depois de Amir. Enquanto o segundo era filho de um homem rico e muito importante em Cabul, Hassan não passava de um hazara, alguém visto com desprezo pela sociedade, e filho do empregado mais antigo da família. Ali, seu pai, havia crescido com o pai de Amir, era seu companheiro de brincadeiras, mas nunca houve um dia em que o outro o tivesse chamado de amigo. E a história entre Amir e Hassan era uma repetição da dos seus pais. Todavia, o final foi diferente... abrupto e cruel para todos.

Tendo perdido a mãe logo ao nascer, Amir passou boa parte da vida tentando ganhar o amor do pai e sentindo que estava abaixo de todas as suas expectativas, que nunca seria alguém digno do orgulho e respeito daquele que tinha lhe dado a vida. Dividia suas frustrações, segredos e esperanças com Hassan, embora nem sempre fosse necessário, pois com um simples olhar seu companheiro de travessuras parecia lê-lo, saber o que ele pensava. Mas Amir não considerava Hassan um amigo. Como poderia? Alguém como ele não poderia ser amigo de um hazara, seria se rebaixar, descer demais. Brincava com Hassan porque ele estava disponível, porque era seu empregado e deveria fazer o que ele quisesse, certo? Assim como limpava o chão de sua casa, preparava seu café da manhã e passava suas roupas, deveria brincar sempre que ele quisesse. 

Enquanto Hassan o adorava e seria capaz de tudo por ele, numa lealdade cega que só se fortaleceu conforme eles cresciam, Amir se ressentia do laço que os unia, da necessidade que tinha de sempre estar com ele, de sua bondade e humildade. Não entendia como ele podia ser tão fiel e feliz levando uma vida tão distinta da dele, num casebre em seu quintal, não podendo frequentar a escola como ele, não sabendo ler e sendo humilhado por outras pessoas. Não entendia como podia sempre manter um sorriso no rosto e perdoá-lo mesmo quando suas atitudes eram imperdoáveis. 

Não sabendo definir bem que tipo de relação tinha com aquele menino que era sua lembrança mais remota, Amir o amava e odiava, se sentia mal quando o faziam chorar, mas também zombava dele quando tinha oportunidade. Torcia por sua felicidade, mas o invejava mesmo sabendo que era o lado privilegiado, que tinha tudo o que o outro jamais teria. Todavia, invejava sim: sua coragem, sua certeza, seus sonhos... Porque Hassan era a metade boa daquela relação doentia. Porque ele era o que Amir nunca conseguiria ser. 

E, então, um dia aconteceu. Do mesmo modo que um inverno os uniu, cerca de doze anos antes, também foi num inverno que tudo se rompeu. Para sempre. Era o ano de 1975. A monarquia já havia caído e Cabul não demoraria a enfrentar uma guerra desigual e, anos mais tarde, a chegada dos Talibãs. Tudo o que conheciam seria extinto. Muitas vidas seriam destruídas. Mas para Amir e Hassan tudo terminou bem antes, em 1975. O que restou depois? O vazio... o vazio deixado pela mais terrível das traições. Porque o sangue derramado naquele dia afetaria o futuro de muitas pessoas.

"Porque foi justamente nesse inverno que Hassan parou de sorrir."

- Sempre gostei do inverno. Não do frio (simplesmente não suporto tempo frio), mas por sua melancolia, por me fazer pensar... por me levar tão longe em pensamentos. Todavia, sinto que nunca mais conseguirei ver o inverno com os mesmos olhos. Que sempre verei aquele menino na minha frente, conformado com algo que não merecia... sofrendo uma grande crueldade, mas... pior que isso... sendo traído de uma maneira insuportável. Ah, Hassan! Como eu queria ter te ajudado. Como queria fazer o que Amir não fez. Não é preciso vencer todas as guerras. Algumas estão perdidas desde o início. Sabe o que importa? Ter alguém lutando ao seu lado. Saber que você não está sozinho. Que alguém se importa o suficiente para não te abandonar mesmo sabendo que irão perder. 

"Mas havia algo de fascinante, embora de um jeito doentio, em implicar com Hassan. Era um pouco como brincar de torturar insetos."

- Eu odiei o Amir. Durante boa parte da história o sentimento permaneceu, intensificando conforme ele me mostrava mais e mais claramente o seu lado podre. Odiava a criança cruel, que sugava tudo de bom que o Hassan lhe oferecia, dando em troca maldade. Sentia vontade de agredi-lo quando ele zombava daquele menino que sempre esteve ao seu lado, que o defendia de qualquer pessoa, que arriscava a si mesmo para vê-lo bem, mesmo que o preço a pagar fosse alto. Quando ele mentia para o Hassan... quando se aproveitava do fato de ele não poder ler ou frequentar a escola... Enquanto meu pequeno e querido personagem era de uma inocência tocante e uma lealdade sem limites, Amir já tinha dentro de si um lado obscuro e covarde. Era um egoísta. Do tipo que sempre colocaria a si mesmo em primeiro lugar. Que se visse alguém apanhando ao seu lado, fingiria que nada estava acontecendo e ainda culparia a pessoa por se atrever a apanhar perto dele. E durante muitos anos ele realmente permanece igual. Mas um dia... um dia o passado retorna. Cobrando com juros os seus pecados. E é aí que meu ódio por ele se transforma em algo diferente. Não sei se amor, mas um sentimento forte. Um dia ele finalmente se torna digno do meu perdão. Embora fosse tarde demais de muitas formas. 

"No inverno de 1975 vi Hassan correr atrás de uma pipa pela última vez."

- Na madrugada de ontem, enquanto todos aqui em casa dormiam, eu chorava. Porque era tudo o que eu podia fazer. Não chorava apenas por Hassan, Ali, Amir e todos os personagens que de um modo ou de outro conquistaram meu coração. Chorava por um mundo que não posso mudar. Que não tem salvação. Chorava pelas crianças aterrorizadas na Síria, por aquelas que ficaram órfãs, por aquelas que foram vítimas de tantas barbaridades... por aquelas que morreram. Chorava por aqueles que são sufocados por governos totalitários e não sabem o que é viver em liberdade. Sofria pelas vidas perdidas em guerras passadas e pelas guerras que atormentam o mundo atualmente, enquanto grandes potências apenas observam ou se movem em interesse próprio. Sofria pela maldade espalhada pelo mundo que parece sempre sair ganhando. E sentia tanta raiva! Tanta revolta! 

Sofria também por todas as crianças que tiveram a sua infância roubada. Que tiveram o seu direito à inocência violado. Seja num país em guerra ou não... existem milhares, talvez milhões, de crianças que tiveram que crescer cedo demais, que tiveram a luz da ingenuidade apagada dos seus olhos. 

"E ouça o que lhe digo, Amir jan: no final, o mundo sempre sai ganhando. As coisas são assim, pura e simplesmente..."

- A história começa cerca de vinte e seis anos após aquele maldito inverno. Conhecemos primeiro o Amir adulto, já com seus trinta e oito anos, atormentado por fantasmas do passado... por uma época longínqua. Um telefonema inesperado, por alguém que estava do outro lado do mundo e que unia de diferentes maneiras a sua vida atual ao que um dia ele viveu, traz de volta tudo aquilo que ele tanto tinha tentado esquecer. A partir daí seguimos com ele por suas lembranças... numa viagem extremamente dolorosa. É assim que conhecemos Hassan... é assim que nos apegamos a ele. Pelas lembranças daquele que um dia o traiu. Que lhe virou as costas, mas que nunca foi capaz de livrar-se do sangue derramado. Do sangue que sujava as suas mãos. 

Mas o que aconteceu com Hassan? Ele morreu? Naquele inverno? Amir fez algo contra ele ou permitiu que alguém fizesse? E por que tantas vidas foram afetadas, mesmo décadas depois, como num efeito dominó? Eu também fiz suposições. Muitas. E consegui acertar o que era antes mesmo que fosse revelado, conforme conhecia os personagens. Fiquei tão conectada a eles que era capaz de prever o próximo passo de cada um. E, não. Não contarei o que acontece. Talvez vocês achem que já sabem por conta do que falei, mas não. Tudo o que eu disse não revela nada. Apenas faz com que criem teorias. 

"Existe um Deus, tem que existir, e agora vou rezar, vou pedir que Ele me perdoe por não ter Lhe dado a devida importância durante todos esses anos, que me perdoe por eu ter traído, mentido e pecado impunemente, e só ter pensando em recorrer a Ele nos momentos de necessidade; pedir-Lhe que seja clemente e misericordioso como o Seu livro diz que Ele é."

- Nada do que eu disse é suficiente para fazê-los sentir tudo o que essa história provoca dentro de nós. Não contei nem um décimo. É muito mais que um livro sobre a amizade (de muitas maneiras unilateral) entre dois meninos que mamaram no mesmo seio e cresceram juntos, um vivendo na casa grande e tendo todos os privilégios, e outro passando seus dias num casebre do mesmo quintal sabendo que provavelmente terminaria seus dias ali, sem nunca sequer poder ler os livros que tanto amava e só conhecia através das palavras de seu agha (senhor), quem ele amava como a um irmão e idolatrava como um deus. É mais que isso. A história vai além, interligando a vida de vários personagens, nos fazendo mergulhar no Afeganistão de 1964 até 2001, nos fazendo conhecer sua História, sua cultura, costumes, religião. Nunca tive um contato tão próximo com o islamismo e o Corão antes de ler esse livro. Nunca entendi bem. Sempre soube que não era uma religião que pregava ódio, pois tive uma professora, uma historiadora fantástica, que conhecia bem o Alcorão. Mas eu desconhecia as semelhanças que ele tem com a Bíblia que conhecemos, com os personagens bíblicos. Há em O Caçador de Pipas uma referência direta a Abraão e o sacrifício do cordeiro, quando Abraão esteve prestes a sacrificar seu filho Isaac, mas Deus enviou o cordeiro e mandou que ele não tocasse no filho. Eu não fazia ideia que Abraão também era um personagem importante para os muçulmanos. 

- O livro também nos traz a realidade das guerras enfrentadas no Afeganistão. A queda da monarquia após um golpe efetuado por parentes do rei, a invasão soviética que provocou a morte de tantas pessoas e o pior de tudo: a ascensão do governo extremista Talibã. Quem nunca tremeu ao ouvir a palavra "talibã"? Eu gelo até hoje. Em O Caçador de Pipas podemos ter uma noção do que os talibãs fizeram com o povo afegão, da destruição em massa que eles provocaram. Violências em público, apedrejamento, enforcamento, estupros e assassinatos gratuitos. Qualquer um que fosse contra o governo talibã pagava bem caro. Foi nesse período que ocorreu o genocídio dos hazaras, quando soldados talibãs invadiram muitas casas numa região de predominância hazara, disparando em diversas famílias e arrastando homens e meninos para execuções públicas nas ruas. Milhares de pessoas morreram. Foi um grande massacre. 

- É possível que, como eu, vocês também tenham se perguntado o que são "hazaras". Hassan, meu personagem preferido do livro, era um hazara, algo que intensificava as humilhações que ele sofria e fazia com que a sociedade o considerasse menos valioso que o objeto mais medíocre. Portanto, eu fui pesquisar quem eram os hazaras. Segundo a Wikipédia: "Os hazaras são um povo que sofre profunda discriminação étnica dentro do seu próprio país, pois a maioria fundamentalista sunita, viam os hazaras como infiéis que mereciam morrer. Eles não tinham a aparência que devia ter um afegão e não faziam suas devoções como devia fazer um muçulmano. Dizia um ditado afegão: "Aos tadjiques o Tadjiquistão, aos usbeques o Usbequistão, e aos hazaras o goristão (cemitério).




Este foi o meu livro escolhido para ler em abril no Desafio 12 Meses Literários. Todavia, pelos motivos que expliquei no início da resenha, adiei a leitura e não concluí a tempo. Mesmo assim li. :)